Seja bem-vindo
Barra Mansa,30/06/2026

    • A +
    • A -
    Publicidade

    Moisés Laureano de Santana

    VOCÊ VOTA COM A RAZÃO OU COM A EMOÇÃO?

    A CIÊNCIA EXPLICA A ESCOLHA DO ELEITOR


    VOCÊ VOTA COM A RAZÃO OU COM A EMOÇÃO?

    VOCÊ VOTA COM A RAZÃO OU COM A EMOÇÃO? A CIÊNCIA EXPLICA A ESCOLHA DO ELEITOR

     Por Moisés Laureano de Santana 

    Pesquisas sobre comportamento humano mostram que medo, esperança, identificação e indignação influenciam mais o voto do que muitos eleitores imaginam. Em um cenário de polarização e redes sociais, compreender essa dinâmica pode ser fundamental para as eleições de 2026.

    A maioria das pessoas acredita que escolhe seus candidatos de forma racional. Afinal, votar é uma decisão séria, capaz de influenciar os rumos de uma cidade, de um estado e de um país inteiro. No entanto, a ciência do comportamento humano tem demonstrado algo que pode surpreender muitos eleitores: embora a razão participe do processo, as emoções costumam exercer um papel muito maior do que imaginamos.

    Em ano pré-eleitoral, quando o Brasil já começa a voltar seus olhos para as eleições de 2026, entender como funciona o comportamento do eleitor torna-se tão importante quanto conhecer propostas, partidos e candidatos. Afinal, antes de apertar os números na urna, uma série de fatores emocionais já influenciou a construção daquela escolha.

    A pergunta é simples, mas a resposta é complexa: você vota com a razão ou com a emoção? A verdade é que votamos com as duas. Entretanto, nem sempre na mesma proporção.

    O cérebro emocional e a política

    Durante muito tempo, acreditou-se que os seres humanos tomavam decisões principalmente de forma lógica. Porém, estudos da psicologia, da neurociência e das ciências comportamentais revelaram que as emoções não são obstáculos à tomada de decisão. Na realidade, elas fazem parte dela.

    Quando uma pessoa avalia um candidato, não observa apenas números, estatísticas ou propostas. Ela também interpreta sinais relacionados à confiança, segurança, empatia, identificação e pertencimento.

    Em outras palavras, o eleitor não escolhe apenas um plano de governo. Muitas vezes, escolhe alguém que representa seus medos, seus sonhos, seus valores ou sua visão de mundo.

    É justamente por isso que campanhas eleitorais investem tanto em narrativas, símbolos, histórias pessoais e mensagens capazes de despertar sentimentos.

    A política fala sobre o futuro. E o futuro desperta emoções.

    O medo: uma das emoções mais poderosas

    Entre todas as emoções exploradas durante campanhas eleitorais, poucas são tão influentes quanto o medo. Medo da violência. Medo do desemprego. Medo da perda de direitos. Medo de crises econômicas. Medo de mudanças ou, em alguns casos, medo da falta delas.

    Quando o eleitor sente que algo importante está ameaçado, sua tendência é buscar candidatos que transmitam proteção e estabilidade.

    Por isso, discursos relacionados à segurança pública, economia e ordem social costumam gerar forte repercussão.

    O medo mobiliza porque toca diretamente o instinto de sobrevivência.

    Contudo, quando explorado de forma excessiva, também pode reduzir a capacidade de análise crítica, favorecendo decisões impulsivas e polarizadas.

    A esperança também move multidões

    Se o medo afasta, a esperança aproxima.

    Grandes campanhas políticas da história compreenderam que as pessoas não querem apenas evitar problemas. Elas também desejam acreditar em possibilidades.

    A esperança funciona como combustível para mudanças.

    Quando um candidato consegue convencer o eleitor de que um futuro melhor é possível, cria-se uma conexão emocional poderosa.

    Não por acaso, expressões como "mudança", "renovação", "reconstrução" e "transformação" aparecem frequentemente nos discursos eleitorais.

    O eleitor não vota apenas no presente. Ele vota, sobretudo, na expectativa de futuro que enxerga.

    O poder da identificação

    Outro elemento decisivo nas eleições é a identificação.

    Muitas vezes, eleitores escolhem candidatos porque enxergam neles alguém parecido consigo mesmos.

    Essa identificação pode surgir por diversos motivos: origem social; trajetória de vida; valores familiares; crenças; forma de falar; história de superação; posicionamentos públicos.

    Quando isso acontece, o vínculo emocional tende a se fortalecer, ou seja, o eleitor passa a sentir que aquele candidato compreende seus problemas porque viveu experiências semelhantes. Essa sensação pode ser tão forte que, em determinados momentos, acaba pesando mais do que propostas concretas ou resultados administrativos.

    A era das redes sociais e a amplificação das emoções

    Se as emoções sempre influenciaram a política, as redes sociais potencializaram esse fenômeno.

    Hoje, milhões de brasileiros recebem informações políticas diariamente por meio de vídeos curtos, imagens, memes e mensagens instantâneas.

    Nesse ambiente, conteúdos emocionais costumam ter maior alcance do que conteúdos analíticos.

    Uma publicação que provoca indignação, revolta ou entusiasmo tende a ser compartilhada com mais rapidez do que um texto técnico ou uma análise detalhada.

    O resultado é uma disputa permanente pela atenção do eleitor.

    Em poucos segundos, uma mensagem pode despertar emoções intensas e influenciar percepções sobre temas complexos.

    Por isso, especialistas alertam para a importância da educação midiática e da verificação de informações.

    Nem tudo o que emociona é verdadeiro. Nem tudo o que viraliza representa a realidade completa dos fatos.

    A indignação como combustível político

    Outro sentimento que ganhou força nos últimos anos é a indignação: escândalos de corrupção; promessas não cumpridas; crises institucionais; problemas sociais persistentes; tudo isso gera frustração e revolta. Em muitos casos, o voto torna-se uma forma de protesto. O eleitor não escolhe necessariamente quem mais admira, mas quem acredita representar uma ruptura com aquilo que rejeita.

    Esse comportamento ajuda a explicar mudanças inesperadas em cenários eleitorais e o crescimento repentino de determinadas lideranças. A indignação mobiliza porque transforma insatisfação em ação.

    O desafio da razão em tempos de polarização

    Em um ambiente cada vez mais polarizado, manter a racionalidade tornou-se um desafio. 

    Quando a política se transforma em disputa de identidades, as emoções podem assumir o controle do debate público. Nesse contexto, muitas pessoas passam a consumir apenas informações que confirmam suas crenças prévias. É o chamado viés de confirmação. Sem perceber, o eleitor seleciona argumentos que reforçam sua visão e rejeita informações que a contradizem. Isso não acontece apenas com um grupo específico. É um comportamento humano universal.

    Por essa razão, desenvolver senso crítico tornou-se uma das competências mais importantes para a cidadania contemporânea.

    O eleitor do futuro precisará ser mais consciente

    As eleições de 2026 acontecerão em um ambiente marcado pela inteligência artificial, pela hiperconectividade e pela circulação instantânea de informações.

    Nesse cenário, compreender como as emoções influenciam nossas escolhas não significa eliminar sentimentos do processo eleitoral. Isso seria impossível. Significa reconhecer sua existência e impedir que elas decidam sozinhas.

    O voto mais consciente não é aquele que ignora as emoções. É aquele que consegue equilibrá-las com análise, informação e reflexão.

    Uma reflexão necessária para 2026

    Ao final, a grande questão não é se o eleitor vota com a razão ou com a emoção. A ciência mostra que ambas caminham juntas.

    A verdadeira pergunta é: quem está conduzindo suas escolhas? O medo ou a informação? A indignação ou a análise? A identificação ou os fatos? A esperança ou as promessas vazias?

    As respostas para essas perguntas podem não apenas definir o resultado das próximas eleições, mas também revelar o grau de maturidade democrática de uma sociedade.

    Em um mundo cada vez mais emocional, talvez o maior desafio do eleitor moderno seja aprender a ouvir o coração sem silenciar a razão. Afinal, a democracia se fortalece quando sentimentos e consciência caminham lado a lado.

    Moisés Laureano de Santana é advogado, pós-graduado em Direito Público, Tributário e Eleitoral, com ampla e sólida experiência na Administração Pública do Estado do Rio de Janeiro, atuando em diversos cargos de direção e chefia em instituições governamentais 



    COMENTÁRIOS

    LEIA TAMBÉM

    Buscar

    Alterar Local

    Anuncie Aqui

    Escolha abaixo onde deseja anunciar.

    Efetue o Login

    Baixe o Nosso Aplicativo!

    Tenha todas as novidades na palma da sua mão.