Moisés Laureano de Santana
Entre o Hexa e as Urnas:
O Que Realmente Vai Mudar a Vida dos Brasileiros em 2026?
Entre o Hexa e as Urnas:
O Que Realmente Vai Mudar a Vida dos Brasileiros em 2026?
Por Moisés Laureano de Santana
Enquanto a Seleção busca a glória nos gramados, a política disputa a confiança nas urnas; no centro dessa batalha está um eleitor cada vez mais exigente e menos disposto a acreditar apenas em promessas.
O Brasil é um país movido por paixões. Poucas nações no mundo conseguem transformar uma partida de futebol e uma eleição presidencial em eventos capazes de mobilizar milhões de pessoas ao mesmo tempo. Em 2026, essa realidade atingirá seu ponto máximo. De um lado, a Seleção Brasileira perseguirá o tão sonhado hexacampeonato mundial. Do outro, candidatos disputarão o cargo mais poderoso da República em uma eleição que promete ser uma das mais importantes das últimas décadas.
Embora pareçam universos distintos, futebol e política possuem algo em comum: ambos despertam esperança, criam expectativas, alimentam sonhos e, quando frustram, deixam marcas profundas na sociedade.
A grande questão é: quem conquistará o coração dos brasileiros em 2026? O hexa ou o Planalto?
A resposta passa por um país que mudou.
Durante décadas, o futebol foi considerado a maior paixão nacional. Bastava a Seleção entrar em campo para que diferenças sociais, ideológicas e regionais fossem momentaneamente colocadas de lado. O verde e amarelo representavam uma identidade coletiva capaz de unir o país em torno de um único objetivo.
Entretanto, o Brasil de hoje é mais complexo. O torcedor continua apaixonado, mas o cidadão está mais atento. O eleitor acompanha a inflação, o preço dos alimentos, a qualidade dos serviços públicos, a segurança nas ruas, a geração de empregos e o desempenho da economia com a mesma intensidade com que analisa a escalação da Seleção.
Se antes a emoção dominava completamente o cenário, agora ela divide espaço com a necessidade de resultados concretos.
Nesse contexto, a corrida pelo hexacampeonato carrega um peso histórico. Desde 2002, a Seleção Brasileira tenta recuperar o protagonismo perdido nas Copas do Mundo. A cada quatro anos, a expectativa renasce. A cada eliminação, a frustração se multiplica.
O hexa não representa apenas um título. Representa orgulho nacional, autoestima coletiva e a reafirmação de uma tradição que ajudou a construir a imagem do Brasil no mundo.
Por outro lado, a disputa pelo Palácio do Planalto envolve consequências muito mais profundas e duradouras.
Afinal, um presidente não governa apenas por noventa minutos. Suas decisões impactam diretamente a vida de mais de 200 milhões de brasileiros. Da política econômica à saúde pública, da educação à infraestrutura, da segurança ao meio ambiente, tudo passa pelas escolhas feitas no centro do poder.
É justamente por isso que a eleição de 2026 terá uma relevância singular.
O país chega ao próximo pleito enfrentando desafios estruturais que não foram plenamente solucionados ao longo das últimas décadas. A desigualdade social continua elevada. A polarização política permanece intensa. O sistema tributário ainda é alvo de críticas. A máquina pública enfrenta cobranças por maior eficiência. E a população exige respostas rápidas para problemas antigos.
Nesse cenário, o eleitor não busca apenas discursos inspiradores. Busca credibilidade.
Sob o aspecto jurídico, o processo eleitoral também será um teste para a democracia brasileira.
A Constituição Federal estabelece que a soberania popular é exercida pelo voto direto, secreto, universal e periódico. Esse princípio transforma cada eleição em um dos momentos mais importantes da vida democrática.
Contudo, os desafios aumentaram.
A disseminação de informações falsas, o uso estratégico das redes sociais, os debates sobre liberdade de expressão, os limites da propaganda eleitoral e o papel das instituições fiscalizadoras colocam o sistema eleitoral diante de questões inéditas.
O desafio do Poder Judiciário, especialmente da Justiça Eleitoral, será garantir que a disputa ocorra dentro das regras constitucionais, preservando a igualdade de oportunidades entre os candidatos e protegendo a vontade soberana do eleitor.
Ao mesmo tempo, os próprios cidadãos terão uma responsabilidade ainda maior.
Em uma era de excesso de informações, votar exige mais do que simpatia. Exige análise. Exige comparação. Exige senso crítico.
O mesmo vale para o futebol.
A paixão continua sendo um combustível poderoso, mas o torcedor moderno também cobra planejamento, gestão, desempenho e resultados. A idolatria instantânea deu lugar a uma avaliação mais rigorosa.
Curiosamente, essa mudança de comportamento aproxima o eleitor do torcedor.
Ambos estão mais exigentes.
Ambos querem resultados.
Ambos estão cansados de promessas que não se concretizam.
Por isso, talvez a pergunta inicial esteja incompleta.
Talvez não seja uma disputa entre o Hexa e o Planalto.
Talvez seja uma disputa entre expectativa e realidade.
Entre emoção e responsabilidade.
Entre celebração e transformação.
Se a Seleção conquistar a Copa do Mundo, milhões de brasileiros irão às ruas para comemorar. O país viverá dias de euforia. Haverá lágrimas, abraços e uma explosão de orgulho nacional.
Mas a alegria do futebol, por mais legítima e necessária que seja, tem prazo de validade.
Já as decisões tomadas por um presidente podem influenciar gerações inteiras.
Podem abrir oportunidades.
Podem reduzir desigualdades.
Podem fortalecer instituições.
Podem melhorar a qualidade de vida.
Ou podem aprofundar problemas já existentes.
Por isso, o verdadeiro coração em disputa em 2026 não será apenas o do torcedor, mas o do cidadão.
O brasileiro continuará sonhando com o hexa. Isso faz parte de sua identidade.
Mas também precisará decidir quem terá a responsabilidade de conduzir os rumos do país nos próximos anos.
E essa escolha talvez seja a mais importante.
Porque troféus entram para a história.
Governos moldam o futuro.
Entre o grito de gol e o silêncio da urna eletrônica, existe uma decisão que nenhum árbitro pode tomar.
Ela pertence exclusivamente ao eleitor.
Entretanto, reduzir a importância das eleições à disputa pelo Palácio do Planalto seria um erro. Governadores, senadores, deputados federais e estaduais exercem influência direta sobre a vida dos brasileiros, pois elaboram leis, fiscalizam governos, aprovam orçamentos e definem políticas públicas que impactam áreas como por exemplo, saúde, educação, segurança e economia.
Sob a ótica jurídica, o equilíbrio entre os Poderes e a força da democracia dependem da qualidade dos representantes eleitos. Um presidente sem apoio legislativo encontra dificuldades para governar, enquanto um Congresso despreparado pode comprometer decisões fundamentais para o país.
Ainda assim, muitos eleitores concentram sua atenção apenas na corrida presidencial. No entanto, o voto para os demais cargos é igualmente decisivo, pois ajuda a definir quem fará as leis, fiscalizará o poder e influenciará os rumos da nação nos próximos anos.
Diante dessa realidade, cabe uma reflexão: você está avaliando todos os cargos em disputa com a mesma atenção que dedica à eleição presidencial? E, o que será mais decisivo para o futuro do Brasil — a conquista de uma sexta estrela no uniforme da Seleção ou a escolha de um projeto capaz de transformar a realidade dos brasileiros?
A resposta não está nos gramados. Está nas mãos de cada cidadão.
Moisés Laureano de Santana é advogado, pós-graduado em Direito Público, Tributário e Eleitoral, com ampla e sólida experiência na Administração Pública do Estado do Rio de Janeiro, atuando em diversos cargos de direção e chefia em instituições governamentais




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