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Barra Mansa,12/06/2026

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    MK - Marcelo Kieling

    Psicologia das Massas e Análise do Eu (1921) - Sigmund Freud

    O cérebro humano na polarização dos fatos.


    Psicologia das Massas e Análise do Eu (1921) - Sigmund Freud

    Neste artigo apresento a descrição feita por Freud com um desenho de como se movimenta o cérebro humano na polarização dos fatos.

    Em Psicologia das Massas e Análise do Eu (1921), Sigmund Freud desvenda o mecanismo que faz pessoas racionais e independentes tomarem atitudes irracionais e abrirem mão de sua própria inteligência quando inseridas em um grupo. Lida hoje, a obra não parece um tratado centenário de psicanálise, mas um diagnóstico preciso da anatomia da polarização que paralisa a sociedade brasileira.

    A genialidade de Freud foi perceber que as massas não são unidas por interesses lógicos, mas por vínculos afetivos (o que ele chama de laços libidinais).

    Combater a irracionalidade das massas com uma enxurrada de dados e "fact-checking" agressivo costuma gerar o efeito rebote: sentindo sua identidade ameaçada, o grupo se fecha ainda mais. Se o vínculo da massa é afetivo, a estratégia para furar a bolha precisa desarmar a defesa emocional antes de apresentar a razão.

    Psicologia das Massas e Análise do Eu (1921) - Sigmund Freud

    Por Marcelo Kieling

    1. O Líder como "Ideal do Eu"

    A tese central de Freud é que a massa se forma quando um grupo de indivíduos substitui o seu próprio "Ideal do Eu" — sua bússola moral, seus valores e sua capacidade de julgamento — por um único objeto externo: o líder ou a ideologia.

    No Brasil atual, a política deixou de ser um debate sobre projetos de desenvolvimento, estrutura do Estado ou gestão, para se tornar um culto personalista. O indivíduo delega à liderança a tarefa de ditar o que é certo e errado. Se o líder comete uma contradição flagrante ou adota uma política indefensável, a massa não o questiona; ela ajusta e contorce sua própria moralidade para continuar alinhada a ele, pois romper com o líder significa perder a própria identidade.

    2. A Imunidade aos Fatos

    Como a massa é cimentada pela emoção e pela identificação mútua (todos amam o mesmo líder ou odeiam a mesma coisa), ela se torna impermeável à lógica.

    Isso explica por que o jornalismo ético e o debate racional enfrentam tanta dificuldade hoje: fatos não desfazem crenças de massa. Quando você apresenta um dado concreto que contraria a visão do grupo polarizado, isso não é recebido como uma informação a ser debatida, mas como um ataque existencial à identidade do grupo. A resistência à verdade, nesse contexto, não é ignorância ou falta de acesso à informação; é um mecanismo de defesa psicológica profundo para não ser expulso da "tribo".

    3. A Necessidade Vital de um Inimigo

    Freud pontua que, para manter a ilusão de harmonia e amor incondicional dentro da massa, o grupo precisa projetar toda a sua agressividade para fora. A massa só se mantém unida se houver um "Outro" a ser odiado e destruído.

    Na polarização brasileira, o debate público foi reduzido a essa lógica de guerra psicológica. O outro lado não é um adversário político com o qual se diverge sobre o tamanho do Estado ou o orçamento, mas um inimigo moral que precisa ser aniquilado. Isso justifica, na mente da massa, o rompimento de relações familiares, a violência política, a "cultura do cancelamento" e o aplauso a abusos institucionais — desde que sejam cometidos contra "o inimigo".

    4. O Casamento entre Freud e os Algoritmos

    Freud analisou multidões físicas (como a Igreja e o Exército). Hoje, a tecnologia e o Dataísmo atualizaram essa dinâmica criando a massa digital invisível.

    As redes sociais atuam como o acelerador perfeito da teoria freudiana. Os algoritmos perceberam que o afeto que mais gera engajamento (o laço que mais une a massa digital) é a indignação compartilhada. Eles agrupam indivíduos em bolhas de identificação absoluta, alimentando-os 24 horas por dia com conteúdos que reforçam a perfeição do seu grupo e a perversidade do grupo oposto.

    Tentar furar essa polarização apenas com argumentos frios é como falar um idioma alienígena para quem está em um transe coletivo. Para reconstruir um espaço público focado na realidade e na reformulação do país, não basta apenas distribuir a informação correta. É preciso criar novos polos de identificação que não dependam do ódio ou do personalismo, mas do pertencimento a um projeto de futuro palpável.

    Precisamos mudar o Brasil. Vamos?

    Ferramentas de IA foram utilizadas na elaboração deste conteúdo. Todo o conteúdo foi revisado por humanos.


     



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