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Barra Mansa,30/05/2026

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    JJ

    Inconcebível

    É uma ferida aberta na consciência nacional.


    Inconcebível

    Inconcebível

    Por JJ

    Não é possível aceitar em silêncio mais uma barbárie cometida pelo Estado contra trabalhadores pobres, desarmados e indefesos. O que aconteceu no Rio de Janeiro não foi apenas uma operação policial, foi um espetáculo de brutalidade, uma demonstração covarde de força contra quem já vive esmagado pelo medo, pela miséria e pelo abandono.

    Quando a Polícia sobe morro dominado por milicianos fortemente armados ou enfrenta facções do tráfico, quase sempre aparecem discursos sobre “planejamento”, “cautela”, “inteligência”, “negociação”, “preservação de vidas”. Mas quando o alvo é o povo simples, o trabalhador, o camelô, o mototaxista, o ambulante, o jovem negro da periferia, aí desaparece qualquer limite. A mão do Estado vira punho de ferro. A farda se transforma em sentença. A abordagem vira humilhação. A operação vira massacre.

    É uma ferida aberta na consciência nacional.

    Não há justificativa moral, jurídica ou humana para tamanha violência. Não há explicação aceitável para o fato de homens treinados e armados até os dentes agirem como verdugos impiedosos diante de cidadãos sem qualquer condição de reação. O que se viu foi desproporção, abuso, crueldade e desprezo pela vida humana.

    Até quando o sangue do povo pobre será tratado como estatística?

    Até quando mães periféricas terão de enterrar seus filhos enquanto autoridades aparecem diante das câmeras para repetir discursos frios e burocráticos?

    O mais revoltante é perceber que existe uma lógica perversa funcionando diante dos nossos olhos. Contra os verdadeiros poderes criminosos, aqueles que movimentam milhões, compram armas pesadas e infiltram tentáculos nas estruturas políticas e econômicas, muitas vezes o Estado age devagar, hesitante, cuidadoso. Mas contra o povo sem proteção, sem advogado caro, sem influência e sem sobrenome importante, a violência chega rápida, cruel e devastadora.

    Isso não é combate ao crime. Isso é demonstração de poder sobre os vulneráveis.

    O Rio de Janeiro não pode continuar sendo laboratório de políticas de morte. Não podemos normalizar cenas de terror transmitidas como se fossem rotina inevitável. Cada trabalhador humilhado, cada inocente atingido, cada corpo estendido no chão representa também o fracasso moral de um país que insiste em declarar guerra aos próprios filhos mais pobres.

    A indignação não pode durar apenas um dia nas redes sociais. Ela precisa virar denúncia permanente, pressão popular, mobilização, cobrança e memória. Porque quando o Estado perde a capacidade de distinguir criminosos de cidadãos, todos passam a viver ameaçados.

    E não, isso não pode ser considerado normal.

    JJ é Sociólogo, Jornalista, Escritor, Poeta, Internacionalista e Capoeira 



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