Carmem Teresa Elias
VIRTUALIDADE
ARMADILHA DA PÓS- MODERNIDADE
VIRTUALIDADE:
ARMADILHA DA PÓS- MODERNIDADE
Li na página do editor João Scortecci : “ o sociólogo e filósofo polonês Zygmunt Bauman (1925 - 2017), criador do conceito de Modernidade líquida – uma etapa na qual tudo que era sólido se liquidificou, e em que nossos acordos são temporários, passageiros, válidos apenas até novo aviso. Zygmunt Bauman escreveu - antes de morrer - sobre as redes sociais: "As redes sociais não ensinam a dialogar porque é muito fácil evitar a controvérsia… Muita gente as usa não para unir, não para ampliar seus horizontes, mas ao contrário, para se fechar no que eu chamo de zonas de conforto, onde o único som que escutam é o eco de suas próprias vozes, onde o único que veem são os reflexos de suas próprias caras. As redes são muito úteis, oferecem serviços muito prazerosos, mas são uma armadilha".
Sou admiradora da perspicácia de visão e interpretação de Bauman e, portanto, respondo: Sim, as redes funcionam como meros espelhos, numa sociedade digital onde pessoas são estimularas e alimentadas a desenvolveram personalidades narcisistas para conversarem consigo mesmos na ilusão de serem o centro de atenção de mundos. Tão narcisistas são os perfis, que abandonam a realidade para viver a falsa imagem virtual de beleza, fama, sucesso e dependência de aprovação de um suposto público. Vive-se de filtros. Vive-se de avatares. Vive-de da fantasia de si mesmo.
Enquanto a fantasia com elos com o real constitui uma importante fase para a criança em sua caminhada para a vida adulta, a virtualidade do século XXI supera a sociedade líquida de Bauman e tornou-se uma fantasia patológica para todas as idades, uma vez que afasta o ser da realidade, da verdade e do conhecimento.
De uma sociedade líquida seguimos para uma sociedade pulverizada!
A tênue fronteira entre verdade e mentira, em última análise fronteira entre a sanidade e a loucura, sofre constantes ameaças, insistentes, repetitivas e absurdas, num processo de interesses sociais, políticos e financeiros, que favorecem unicamente aos poucos, muito poucos, líderes das redes sociais, cuja meta já se percebe ser a de incentivar uma disruptura do pensamento humano.
A destruição da verdade é a etapa mais cruel e degradante da ignorância como arma de destruição da humanidade.
Dados da Agência Brasil afirmam que a quantidade alarmante de 90% da população brasileira admite já ter acreditado em fake news. Acreditaram ou acreditam sem quaisquer contestações a qualquer absurdo que seja postado nas redes.
Outro estudo internacional comparou a taxa de aceitação de fake News. Entre 21 países avaliados, os brasileiros foram apontados como a população com maior dificuldade de diferenciar fato, opinião, verdade e mentira.
Além disso, em paralelo traçado entre a população jovem aponta que o uso de redes sociais ocupa 9 horas diárias no Brasil. O efeito é ainda mais assustador : quase metade destes jovens sofrem distúrbios emocionais e psíquicos, desde ansiedade e depressão até casos graves de perda com a realidade, dependência grave, acesso a criminalidade e vício!
A Hiperconectividade, o excesso de informações e a desconexão com a realidade afetam drasticamente a saúde mental!
Ao invés de construir um futuro maravilhoso como a tecnologia anuncia, o que está sendo formado é um processo de destruição do indivíduo, reduzindo-o a um dependente, escravizado pelas máquinas.
As formas de escravidão mudaram: não é mais física; a escravidão agora é mental.
Carmem Teresa Elias
Autora do livro “ Inteligência Artificial Generativa : a nova colônia” ( editora Scortecci)!




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