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Barra Mansa,18/05/2026

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    Carlo Simi

    A POLÍTICA DO ÓDIO:

    COMO AS REDES TRANSFORMARAM BRASILEIROS EM TORCIDAS ORGANIZADAS.


    A POLÍTICA DO ÓDIO:

    A POLÍTICA DO ÓDIO:

    COMO AS REDES TRANSFORMARAM BRASILEIROS EM TORCIDAS ORGANIZADAS.

    Por Carlo Simi

    Existe uma ilusão perigosa dominando o debate público brasileiro: a de que a polarização política nasceu apenas dos líderes políticos.

    Não nasceu. Ela foi alimentada, acelerada e profissionalizada por um sistema digital criado para prender a atenção das pessoas a qualquer custo.

    As redes sociais não foram construídas para promover reflexão, equilíbrio ou convivência democrática. Foram construídas para manter você conectado o maior tempo possível. E descobriram rapidamente que nada segura mais um ser humano diante da tela do que a confirmação das próprias crenças.

    O algoritmo aprendeu que indignação gera clique. Raiva gera compartilhamento. Medo gera engajamento. E pertencimento gera fidelidade.

    Por isso, quem é de esquerda passa o dia consumindo conteúdos que reforçam a visão da esquerda. Quem é de direita recebe uma avalanche de conteúdos que confirmam a narrativa da direita. Aos poucos, cada grupo passa a viver dentro de uma bolha emocional onde o contraditório deixa de existir. O adversário político não é mais alguém que pensa diferente. Passa a ser tratado como inimigo moral.

    Nesse ambiente, a política deixa de funcionar como espaço de debate e vira disputa de identidade.

    Os grandes líderes populares compreenderam isso como poucos. Não se comunicam apenas como políticos. Se apresentam como símbolos emocionais. Um encarna a ideia do homem simples que venceu a desigualdade e enfrentou as elites. O outro se posiciona como alguém que desafia o sistema e fala aquilo que parte da população gostaria de dizer.

    E quando a política entra no campo simbólico, a razão perde espaço para a paixão.

    As palavras deixam de ser apenas palavras. Viram senhas de pertencimento. Expressões, bordões, cores e gestos passam a identificar quem faz parte de cada lado. Forma-se uma lógica de torcida organizada, onde muitos já não defendem propostas, mas defendem a própria identidade política.

    O passo seguinte é inevitável: toda tribo precisa de um adversário permanente.

    A rejeição ao outro lado se tornou, muitas vezes, mais forte do que qualquer admiração pelo próprio candidato. Há brasileiros que já não votam movidos pela esperança de melhorar o país, mas pelo desejo de impedir a vitória do adversário político.

    As redes ampliam isso diariamente. Transformam atos políticos em espetáculos de massa, onde multidões servem como ferramenta psicológica de convencimento. Quando milhões ocupam ruas vestindo as mesmas cores e repetindo os mesmos slogans, cria-se a sensação de que aquela narrativa representa a maioria absoluta da sociedade.

    E quando surgem crises, investigações ou derrotas políticas, entra em cena outro elemento poderoso: a construção do mártir.

    Na era digital, sofrimento político gera mobilização emocional imediata. Quem é atacado se fortalece diante da própria base. O líder deixa de ser apenas um representante político e passa a ser tratado como alguém perseguido injustamente por forças maiores. O debate racional desaparece e dá lugar ao impulso emocional.

    Tudo isso é potencializado pela repetição constante. Os personagens políticos estão diariamente nas telas, nos cortes de vídeo, nos grupos de mensagens, nos memes e nas discussões familiares. A familiaridade produz confiança. E confiança, na política contemporânea, vale mais do que coerência.

    O problema é que, enquanto milhões de brasileiros dedicam energia para defender políticos na internet, suas próprias vidas seguem estagnadas. Famílias se rompem, amizades acabam e a sociedade se torna cada vez mais incapaz de dialogar.

    A política precisa voltar a ser instrumento de transformação social, não mecanismo de manipulação emocional coletiva.

    Porque quando o cidadão passa a agir apenas como militante permanente, deixa de cobrar resultado, deixa de exigir soluções reais e se transforma apenas em combustível para um sistema que lucra com o conflito infinito.

    Carlo Simi é Matemático, Professor, Servidor Público, Sócio Proprietário e Torcedor do Fluminense, Frequentador dos jogos e do clube desde a década de 50, Ex-Conselheiro, Membro do Grupo Por Amor ao Tricolor e Membro da Embaixada Tricolores da Zona Sul.




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