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Barra Mansa,14/05/2026

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    JJ

    A Abolição Não Pode Ser Apagada

    A abolição foi uma conquista histórica gigantesca.


    A Abolição Não Pode Ser Apagada

    A Abolição Não Pode Ser Apagada

    Por JJ

    Infelizmente, esse debate não está acontecendo de maneira ampla na sociedade brasileira. Ele ocorre, sobretudo, dentro do próprio movimento negro, entre intelectuais, militantes, ativistas e diferentes correntes de pensamento antirracista.

    E justamente por isso exige ainda mais serenidade, maturidade histórica e responsabilidade política.

    Criticar os limites da abolição é necessário. Negar sua dimensão histórica é um erro.

    A escravidão brasileira foi uma das experiências mais violentas e desumanas da história moderna. Durante séculos, milhões de negros africanos e seus descendentes foram tratados como mercadoria, privados de liberdade, de dignidade e da própria condição humana. Nesse contexto, o fim jurídico da escravidão não pode ser tratado como um acontecimento irrelevante ou meramente simbólico.

    A Lei Áurea foi insuficiente, limitada e profundamente incompleta. Não houve reparação econômica, distribuição de terras, acesso à educação ou políticas de integração social para os libertos. O Estado brasileiro aboliu a escravidão, mas abandonou os negros à marginalização. Essa crítica é legítima, necessária e historicamente correta.

    Também é correto afirmar que a abolição não foi um gesto generoso da monarquia. Ela foi resultado da resistência negra, das revoltas, dos quilombos, das fugas, da ação dos abolicionistas e da pressão política e social que tornou a escravidão insustentável.

    Mas reconhecer tudo isso não exige transformar o 13 de Maio em uma data desprezível ou sem valor histórico.

    Há setores que, na tentativa de denunciar o racismo estrutural brasileiro, acabam reduzindo a abolição a uma “farsa”, quase como se o fim legal da escravidão não tivesse significado histórico algum. Esse caminho é perigoso.

    Porque uma coisa é denunciar os limites da abolição. Outra, completamente diferente, é negar a importância do ato histórico de extinguir juridicamente uma instituição monstruosa.

    A crítica às elites brasileiras, ao abandono dos libertos e à construção de um país racialmente desigual é correta. O problema começa quando essa crítica se transforma numa espécie de negação simbólica da própria abolição.

    Isso produz um efeito contraditório. Em vez de fortalecer a consciência histórica, enfraquece a compreensão da dimensão civilizatória que representou o fim oficial da escravidão.

    A maturidade política exige capacidade de sustentar duas verdades ao mesmo tempo.

    A abolição foi limitada e incompleta.

    E a abolição foi também uma conquista histórica gigantesca.

    Uma afirmação não anula a outra.

    Não se pode jogar a criança fora junto com a água suja.

    É preciso preservar a criança e também a bacia.

    Ou seja, preservar a crítica, sem destruir o significado histórico do avanço conquistado.

    Povos maduros não apagam suas contradições. Eles aprendem a compreendê las.

     JJ é Sociólogo, Jornalista, Escritor, Poeta, Internacionalista e Capoeira




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