JJ
CHEGA!!!
A violência como rotina
CHEGA!!!
Por JJ
O assassinato brutal de uma jovem mãe dentro de um Uber, atingida pelas costas por um policial civil no Rio de Janeiro, é mais um retrato do colapso moral e institucional da segurança pública brasileira. Não foi um acidente. Não foi legítima defesa. Não foi combate ao crime. Foi a banalização da violência transformada em método.
Em São Paulo, o governador apostou em uma política baseada em espetáculo, confronto e discurso fácil. O “bandido bom é bandido morto” virou slogan eleitoral, mas na prática abriu espaço para abusos, execuções, despreparo e crescimento da sensação de medo da própria população diante daqueles que deveriam protegê-la. A retórica agressiva rendeu curtidas, votos e palanque, mas não resolveu o crime organizado, não desmontou facções e tampouco devolveu tranquilidade ao trabalhador comum.
O resultado aparece diariamente nos noticiários, inocentes mortos, ações policiais descontroladas, violência banalizada e uma polícia exposta ao pior tipo de comando político, aquele que estimula a brutalidade enquanto abandona inteligência, investigação, prevenção e controle interno.
No Rio de Janeiro, o problema é ainda mais profundo e apodrecido. Ali existem três poderes armados disputando território e influência, o Estado oficial, a milícia e parcelas corrompidas das próprias forças de segurança. O cidadão trabalhador fica espremido entre o medo, a violência e a ausência completa de autoridade legítima. Não por acaso, o histórico recente do estado é marcado por governadores presos, escândalos permanentes e relações promíscuas entre política, crime e poder armado.
A extrema direita vendeu soluções simplistas para problemas complexos. Transformou o ódio em programa de governo e a violência em marketing político. Não resolveu a criminalidade e ainda deteriorou instituições fundamentais.
Mas a esquerda também precisa abandonar parte das suas ilusões e compreender algo elementar, reprimir o crime também é necessário. Segurança pública exige inteligência social, investimento, prevenção, educação e oportunidade, mas exige igualmente firmeza, prisão e retirada imediata de criminosos do convívio social.
Bandido bom é bandido preso. Seja o bandido da Faria Lima, de Copacabana, de Paraisópolis ou do Complexo da Maré.
A população trabalhadora precisa voltar a viver sem medo, circular sem tensão, trabalhar, estudar e ocupar a cidade com dignidade. Segurança pública não pode ser propaganda ideológica nem palco eleitoral. Precisa ser política séria de proteção à sociedade.
JJ é Sociólogo, Jornalista, Escritor, Poeta, Internacionalista e Capoeira




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