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Barra Mansa,14/05/2026

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    JJ

    SILÊNCIO NÃO!

    O documentário Gaza: Doctors Under Attack não venceu apenas um prêmio em Londres. Venceu o silêncio.


    SILÊNCIO NÃO!

    SILÊNCIO NÃO!

    O documentário Gaza: Doctors Under Attack não venceu apenas um prêmio em Londres. Venceu o silêncio.

    Por JJ

    Ao receber o principal reconhecimento do BAFTA TV Awards na categoria de atualidades, seus produtores transformaram o palco em um ato de denúncia contra a censura editorial da BBC, emissora que inicialmente recusou exibir a obra sob a alegação de “imparcialidade”. O filme acabou sendo transmitido pelo Channel 4 e recebeu aclamação internacional.

    O episódio revela algo maior que uma disputa jornalística. Quando uma obra audiovisual registra médicos operando crianças sem anestesia, hospitais destruídos e profissionais de saúde trabalhando sob bombardeios contínuos, impedir sua circulação pública deixa de ser um simples critério editorial. Passa a ser uma escolha política.

    A neutralidade, em contextos de massacre humanitário, frequentemente serve apenas para proteger os poderosos do constrangimento moral. E o silêncio institucional, quando recai apenas sobre determinadas vítimas, transforma-se em cumplicidade.

    Os próprios realizadores afirmaram, durante a premiação, que “não serão silenciados”. A frase ecoou porque a tentativa de ocultar o documentário produziu exatamente o contrário do que desejavam seus censores, revelou ao mundo o desconforto de parte da imprensa ocidental diante de imagens e testemunhos que desmontam narrativas oficiais.

    A controvérsia também expôs uma contradição profunda dentro da própria BBC. Nos últimos meses, a emissora esteve no centro de intensos debates sobre sua cobertura da guerra em Gaza, incluindo acusações de cortes editoriais envolvendo manifestações pró Palestina em premiações culturais e críticas sobre critérios de imparcialidade.

    É verdade que a BBC enfrentou outras polêmicas envolvendo documentários sobre Gaza, inclusive sanções regulatórias relacionadas a falhas de transparência em uma produção anterior.  Mas usar esse precedente como justificativa para sufocar relatos documentais sobre o sofrimento palestino cria um efeito perverso, o de transformar qualquer voz palestina em suspeita prévia, enquanto bombas, cercos e mortes seguem tratados como abstrações diplomáticas.

    A história do jornalismo mostra que grandes crimes coletivos quase sempre precisaram vencer primeiro o bloqueio da invisibilidade. Foi assim no Vietnã, no apartheid sul africano, nas ditaduras latino americanas. O horror só se tornou politicamente incontornável quando imagens romperam o filtro das conveniências institucionais.

    Por isso, tentar silenciar Gaza: Doctors Under Attack não é apenas censurar um filme. É colaborar para que um povo continue morrendo longe demais da consciência do mundo.

    E quando a dor de milhares precisa ser editada para não constranger governos e aliados, o problema já não está no documentário. Está naquilo que se deseja esconder.

     JJ é Sociólogo, Jornalista, Escritor, Poeta, Internacionalista e Capoeira




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