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Barra Mansa,01/05/2026

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    Carmem Teresa Elias

    Entre a violência e Pelos desertos da maldade humana

    Um longo corredor


    Entre a violência e Pelos desertos da maldade humana "O Triunfo do Surrealismo" (1937), de Max Ernst,

    Entre a violência e Pelos desertos da maldade humana

    Às vezes sinto que caminhamos por um longo corredor que liga nada a nada. Resultado incontestável da brutalidade e da perversidade ao qual o ser humano se entrega com tanta facilidade.

    Entres os poderosos, guerras e genocídios, enquanto populações inteiras sofrem a tortura da monstruosidade bélica. Entre os adolescentes, torturas a animais indefesos como prêmio e monetização em plataformas criminosas como a discord. Um horror explícito sem que autoridades façam alguma restrição. As redes sociais são o terreno mais árido já desenvolvido pela humanidade. Verdadeiras escolas on-line de violência e ódio gratuitos.

    Eu já atravessei vários desertos: O Saara, o Kalahari, o Vale da Morte, o Atacama… os desertos ensinam muito sobre a habilidade de perseverança necessária para se continuar a executar algo difícil, desagradável, doloroso, demorado. Também ensinam muito sobre a vida, sobrevivência, desespero e abrigo. Os habitantes de desertos, sejam os animais, os humanos ou os vegetais adquiriram um instinto a mais: o de camuflar pesadelos na forma de resistência.

    Desertos são extremos e nesse aspecto diferem de quaisquer definições filosóficas ou filológicas de bem e de mal. Em desertos tudo é o que tem de ser, nem mais, nem menos.

    O que de fato incomoda, portanto, ao observar o mundo “não deserto” e perceber nele esse corredor do nada ao nada é a sensação que ocorre como consequência de acompanhar a facilidade pora a devastação, destruição do meio ambiente, a extinção das espécies, o desmanche  das paisagens, enfim, o que me incomoda é ser ainda incapaz de  discernir se o mundo ficou ruim porque as pessoas são ruins ou se as pessoas ficaram ruins porque deixaram o mundo ficar nas mãos dos ruins.

    Por mais que se acredite na bondade nata do ser humano, Rousseau falhou. Idem Hobbes e seu Leviatã, haja visto o quão leviano o ser humano pode ser quando tomado de poder, dinheiro e pirraça de Narciso.

    Ao contrário dos grandes desertos do mundo, existe algo incomparavelmente pior: a governança em sua supremacia de ilhas. Como em qualquer ilha, círculos do nada ao redor do nada, a cada ano a mesma população de cada tribo condecora, elege e concede cargos e prêmios aos próprios amigos, caciques, soberanos, donos, colonizadores. De ossos a ossos de um ofício duvidoso. Acima dos desgovernados políticos, a liderança das bigtechs e suas máquinas de ódio e destruição.

    Entre o símbolismo e o realismos dos regimes e sistemas, seja a democracia da aceitação, da cultura de democratização, da globalização da tirania, do absolutismo, da ignorância, das falsas eras de paz e das guerras forçadas, das plataformas de colonização de mentes, seguimos sendo bandos de almas penadas no pesadelo de ir de nada a nada neste modo vivendis que é só o de destruir.

    Acredito que o mundo vive algo tenebroso: há desertos do nada ao nada nos corações humanos.

    Porém eu eu vivi a beleza, a nobreza, a natureza e o grande ensinamento dos desertos  da África, da América, alem dos oceanos e as multidões. Quando a chuva rara chega, os desertos terrenos florescem e se iluminam da miudeza diversa de cores, perfumes e vida de seus jardins secretos. Há paraísos que poucos alcançam.

    Carmem Teresa Elias

     



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