Seja bem-vindo
Barra Mansa,26/04/2026

    • A +
    • A -
    Publicidade

    Carlo Simi

    RIO,PALCO DO MUNDO:

    INVESTIMENTO, RETORNO E INTELIGÊNCIA PÚBLICA


    RIO,PALCO DO MUNDO:

    RIO, PALCO DO MUNDO:

    RIO, PALCO DO MUNDO:

    INVESTIMENTO, RETORNO E INTELIGÊNCIA PÚBLICA

    Por Carlo Simi

    O show da Shakira no Rio de Janeiro reacende um debate recorrente — e muitas vezes mal colocado — sobre o papel do poder público na realização de grandes eventos.

    Há quem enxergue apenas a planilha do gasto imediato. Mas essa visão é limitada, simplista e desconectada da dinâmica real das grandes cidades globais.

    Eventos desse porte não são apenas entretenimento. São motores econômicos. Movimentam a rede hoteleira, aquecem bares e restaurantes, ativam o transporte, geram empregos temporários e impulsionam o comércio. O dinheiro circula, multiplica-se e retorna sob a forma de arrecadação e atividade econômica.

    Mas é preciso ir além — e tratar com respeito uma crítica legítima que surge sempre que o poder público apoia esse tipo de iniciativa.

    Muitos questionam: por que investir em shows quando há carências evidentes em saúde, educação e habitação? Outros vão além e associam esses eventos à desordem, ao excesso, àquilo que chamam de “libertinagem”.

    Esse ponto não pode ser ignorado. Mas também não pode ser tratado com simplificação.

    Primeiro, porque não se trata, na maioria das vezes, de uma escolha direta entre “show ou hospital”. Os recursos utilizados para eventos vêm de rubricas específicas, muitas vezes vinculadas à promoção econômica, cultural e turística — áreas que também são políticas públicas.

    Segundo, porque o retorno gerado por esses eventos contribui, justamente, para ampliar a capacidade de investimento do Estado. Mais atividade econômica significa mais arrecadação. Mais arrecadação significa mais possibilidade de financiar políticas sociais.

    Ou seja: quando bem estruturado, o evento não concorre com a política pública — ele ajuda a financiá-la.

    E não se trata de uma aposta no escuro. O Rio de Janeiro tem exemplos recentes que ajudam a qualificar esse debate.

    O megashow da Madonna demonstrou, na prática, o potencial desse tipo de iniciativa. Com milhões de pessoas presentes e uma repercussão global massiva, o evento gerou um impacto econômico estimado na casa das centenas de milhões de reais, aquecendo toda a cadeia do turismo e dos serviços.

    Mais do que isso: foi um evento amplamente organizado, com poucos registros de ocorrências relevantes diante da sua dimensão. Um caso concreto de que é possível, sim, realizar grandes espetáculos com planejamento, segurança e retorno.

    Esse exemplo enfraquece a ideia de que eventos dessa natureza geram apenas custos ou desordem. Ao contrário: quando bem conduzidos, geram receita, projetam a cidade e reforçam sua capacidade institucional.

    Quanto à ideia de que esses eventos só produzem desordem, ela não resiste à realidade. Grandes cidades do mundo realizam espetáculos com milhões de pessoas com planejamento, segurança e organização. O problema, quando existe, não está no evento em si, mas na gestão.

    E aqui está o ponto central do debate.

    Não se deve questionar a realização de grandes eventos.

    O que se deve questionar — com rigor — é como eles são planejados, contratados e executados.

    É legítimo exigir transparência.

    É necessário avaliar contrapartidas.

    É fundamental cobrar estratégia.

    Porque o verdadeiro erro não está em investir.

    Está em investir mal.

    Está em não planejar o legado.

    Está em não transformar visibilidade em desenvolvimento contínuo.

    Cidades que entenderam isso — como Barcelona, Lisboa ou Londres — utilizam grandes eventos como ferramentas permanentes de posicionamento global e dinamização econômica.

    O Rio de Janeiro tem vocação natural para isso. Tem marca, tem apelo, tem cenário. O que precisa é consistência, planejamento e inteligência pública.

    O show de Shakira é mais do que um espetáculo. É um teste.

    Não da capacidade do Rio de realizar eventos — isso a cidade já provou ter.

    Mas da capacidade de transformar evento em legado.

    Porque no fim, a pergunta não é se vale a pena.

    É se estamos fazendo do jeito certo.

    Carlo Simi é Matemático, Professor, Servidor Público, Sócio Proprietário e Torcedor do Fluminense, Frequentador dos jogos e do clube desde a década de 50, Ex-Conselheiro, Membro do Grupo Por Amor ao Tricolor e Membro da Embaixada Tricolores da Zona Sul.

     



    COMENTÁRIOS

    LEIA TAMBÉM

    Buscar

    Alterar Local

    Anuncie Aqui

    Escolha abaixo onde deseja anunciar.

    Efetue o Login

    Baixe o Nosso Aplicativo!

    Tenha todas as novidades na palma da sua mão.