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Barra Mansa,27/04/2026

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    JJ

    Nacionalismo para fazer o povo feliz

    O que é ser nacionalista?


    Nacionalismo para fazer o povo feliz

    Nacionalismo para fazer o povo feliz

    Por JJ

    Vivemos um tempo em que a palavra nacionalismo costuma surgir cercada por ruídos, paixões instantâneas e interpretações distorcidas. Para alguns, ela aparece como nostalgia vazia. Para outros, como pretexto autoritário. Há ainda quem a veja apenas como slogan eleitoral, desses que inflamam palanques e desaparecem no dia seguinte. No entanto, entre caricaturas e abusos, permanece uma verdade essencial, nenhuma nação prospera sem consciência de si mesma.

    O nacionalismo que merece ser defendido não é o da intolerância, nem o da exclusão, tampouco o do isolamento estéril. O nacionalismo que importa é soberano, independente, autônomo, economicamente desenvolvido e socialmente justo. É aquele que entende que a pátria não é abstração, a pátria é o povo em sua vida concreta, com trabalho digno, renda, saúde, educação, segurança e esperança.

    Uma nação forte não se mede apenas pelo tamanho do território ou pela imponência de suas Forças Armadas. Mede-se, sobretudo, pela capacidade de proteger seus interesses estratégicos, dominar tecnologias decisivas, produzir riqueza internamente e distribuí-la de modo civilizado. Mede-se pela qualidade de vida de seu povo. Quando a população sofre com desemprego, desalento, fome ou abandono, o discurso patriótico torna-se apenas ornamento.

    O Brasil precisa recuperar a ideia de projeto nacional. Durante décadas, alternamos surtos de crescimento sem continuidade e períodos de resignação diante da dependência externa. Aceitamos, muitas vezes, a falsa escolha entre mercado sem pátria ou Estado sem eficiência. Precisamos superar esse impasse com inteligência histórica.

    Um verdadeiro projeto nacional desenvolvimentista exige planejamento de longo prazo, investimento produtivo e coragem política. Exige reindustrialização moderna, baseada em inovação, digitalização e sustentabilidade. Exige defesa vigorosa da Petrobras, da Eletrobras estratégica, da Embraer fortalecida, da ciência nacional, das universidades públicas e da capacidade tecnológica brasileira. Exige infraestrutura robusta, ferrovias, portos, energia limpa, saneamento e conectividade.

    Mas nada disso bastará se o centro do projeto não for o povo. Desenvolvimento sem justiça social produz ilhas de riqueza cercadas por oceanos de frustração. É preciso ampliar direitos, valorizar o salário, fortalecer a previdência pública, garantir saúde universal, escola de qualidade, moradia digna e cultura acessível. O crescimento econômico deve servir à felicidade coletiva, não apenas às estatísticas.

    A democracia, por sua vez, não é obstáculo ao desenvolvimento, é sua condição superior. Países que respeitam instituições, pluralismo, liberdade de imprensa e participação popular constroem bases mais sólidas para o progresso. O autoritarismo pode até prometer velocidade, mas costuma entregar medo, corrupção e atraso.

    Também precisamos de uma política externa altiva e pragmática. O Brasil deve dialogar com todos, submeter-se a ninguém. Deve buscar parcerias múltiplas, defender a integração sul-americana, ampliar presença na África, fortalecer relações com os BRICS e negociar com o mundo a partir de seus próprios interesses.

    O nacionalismo que defendo valoriza o trabalhador, o empresário produtivo, o agricultor comprometido com a soberania alimentar, o cientista, o professor, o artista, o jovem periférico e o aposentado. Valoriza quem constrói o país real todos os dias.

    A nação tem obrigação moral de tornar a vida de seus habitantes melhor. Se o povo não vive melhor, algo falhou no Estado, na economia ou nas elites dirigentes. Patriotismo verdadeiro não se mede por palavras exaltadas, mede-se pela mesa cheia, pelo emprego criado, pela escola funcionando, pela rua segura e pelo futuro possível.

    O Brasil pode ser grande sem esmagar ninguém, soberano sem arrogância, desenvolvido sem injustiça e democrático sem fraqueza. Pode ser uma república moderna, popular e respeitada. Para isso, precisa voltar a acreditar em si mesmo.

                                                       JJ é Sociólogo, Jornalista, Escritor, Poeta, Internacionalista e Capoeira

     



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