Você terá controle total do algoritmo (basta morar na Austrália)

Resumo
Após ser pioneira nas leis que restringem redes sociais para menores, a Austrália agora quer dar mais controle ao usuário sobre os algoritmos. O governo do país apresentou um projeto de lei que obriga as plataformas a oferecerem opções para desligar completamento os algoritmos de recomendação e ver apenas publicações de contas que a pessoa escolheu seguir.
A regra chamada de “My Feed, My Way” valeria para usuários com mais de 16 anos, que receberiam um aviso permitindo escolher entre continuar com um feed personalizado ou não, assim que entrassem na plataforma.Empresas que dificultarem a escolha ou descumprirem as novas exigências poderão receber multas de até 109,2 milhões de dólares australianos (cerca de R$ 400 milhões).
Experiência sem sistema de recomendação

Redes sociais como Facebook, Instagram e TikTok usam sistemas de recomendação para decidir quais posts aparecem primeiro, considerando fatores como histórico, interações e interesses. Com a nova regra, elas deverão oferecer uma experiência sem esse tipo de personalização.
Algumas das principais plataformas já possuem seções de posts de amigos. No Instagram, por exemplo, é possível selecionar a aba ao clicar no logo do app, no topo da interface, e selecionar a opção “Seguindo”. TikTok e X também oferecem opções semelhantes.
O My Feed, My Way, porém, deve forçá-las a permitir esse modo por padrão, uma ideia já rejeitada anteriormente por executivos como Adam Mosseri, chefe do Instagram. Em 2024, ele deixou claro que priorizar postagens de contas seguidas pelos usuários reduziria o engajamento e as pessoas passariam menos tempo na plataforma.
Em junho, porém, Mosseri reconheceu que o algoritmo diminuiu a autonomia dos usuários e tem tornado o feed menos interessante para muitas pessoas.
Mais cuidado para menores

O mesmo pacote prevê novas obrigações de cuidado digital para menores de 18 anos em apps, jogos online e chatbots de IA. As plataformas teriam de adotar medidas para reduzir a exposição de menores a:
- Pornografia
- Incentivo a transtornos alimentares
- Discursos misóginos
- Glorificação do crime
- Desafios perigosos
- Intimidação e assédio virtual
- Conteúdos capazes de causar sofrimento psicológico grave
O país deve exigir que as empresas considerem esses riscos já no desenvolvimento dos produtos, em vez de agir apenas depois que um problema acontece.
Big techs ainda podem tentar barrar a proposta
Procuradas pela Reuters, a Meta e a Alphabet (holding do Google) não comentaram o projeto. A DIGI, grupo que representa empresas como Meta, Google e Snapchat na Austrália, disse apoiar a oferta de escolhas significativas aos usuários, mas afirmou que os sistemas de recomendação também têm um papel importante na descoberta de novos conteúdos.
O projeto ainda precisa ser formalmente apresentado ao Parlamento, e a expectativa é de um debate prolongado. O governo pretende protocolar o texto antes do recesso parlamentar de fim de ano.
Você terá controle total do algoritmo (basta morar na Austrália)




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