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Barra Mansa,02/09/2026

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    TURISMO DE QUALIDADE:


    TURISMO DE QUALIDADE:

    TURISMO DE QUALIDADE:

    O MOTOR QUE BÚZIOS PRECISA PARA GERAR RENDA E EMPREGO DE VERDADE

    Por Mirinho Braga - Búzios, RJ

    Búzios não precisa de mais turistas. Búzios precisa de um turismo melhor.

    Nos últimos anos, confundimos movimento com desenvolvimento. Lotamos a cidade no Réveillon e no Carnaval, mas esvaziamos o comércio na baixa temporada. Trouxemos milhares de visitantes de um dia, que deixam lixo na praia e pouco no caixa do comerciante.

    O turismo de quantidade gera engarrafamento. O turismo de qualidade gera emprego.

    Quando me refiro a turismo de qualidade, não estou falando de luxo ou elitismo. Falo de turismo de valor agregado, que permanece mais tempo na cidade. Falo do turista que se hospeda, que come no restaurante da família buziana, que contrata o barco de pescador para um passeio no mar.

    Refiro-me ao turista que respeita o lugar, que entende que nossas praias, nossa cultura e nossa tranquilidade são nosso maior patrimônio.

    Um dado do Ministério do Turismo é claro: um turista de qualidade gasta, em três dias, o mesmo que oito turistas de bate-volta gastam em um dia. E com um custo infinitamente menor para a cidade.

    Como o turismo de qualidade gera emprego de verdade?

    1. Emprego o ano todo, não só na temporada: quando Búzios se posiciona como destino de gastronomia, de eventos, de ecoturismo, de mergulho, de casamentos, de bem-estar e de eventos náuticos, a gente quebra a sazonalidade. O garçom não trabalha só em dezembro. A camareira não é demitida em maio.

    2. Renda que fica aqui: o turismo de massa beneficia grandes redes e plataformas internacionais. O turismo de qualidade fortalece a economia local. Cada R$ 1,00 gasto em uma pousada familiar circula três vezes dentro de Búzios: no mercado, na farmácia, na escola, no açougue.

    3. Qualificação e salário melhor: o turismo de qualidade exige capacitação. Exige inglês, exige gastronomia, exige guias certificados, exige hospitalidade. E profissional qualificado ganha mais. É a diferença entre um bico e uma carreira.

    O que Búzios precisa fazer agora:

    1. Infraestrutura que não se vê, mas se sente: não adianta marketing sem esgoto tratado, sem tratamento urbanístico, sem limpeza adequada. Turista de qualidade não volta para um lugar onde o básico não funciona.

    2. Calendário inteligente: Búzios tem que ter 12 meses de motivos para vir. Festival Gastronômico, Festival de Jazz, etapa de vela, congresso de mergulho, turismo de pesca esportiva. É isso que mantém o emprego. A política do pão e circo não traz nenhum benefício para o turismo de nossa cidade.

    3. Proteger quem protege Búzios: o pequeno empreendedor, o pescador, o artesão, o dono da pousada de oito quartos. Eles são a alma de Búzios e precisam de crédito, de treinamento e de menos burocracia.

    Búzios já é famosa no mundo inteiro. Brigitte Bardot fez isso por nós há 60 anos. Agora é nossa vez de decidir que tipo de fama queremos, se queremos recuperar o glamour que tínhamos.

    Queremos ser a cidade do turismo barato e predatório, que esgota nossos recursos naturais e humanos? Ou queremos ser referência internacional de um turismo sustentável, rentável e que orgulha quem nasceu aqui?

    Eu escolho a segunda opção. Porque, quando o turismo é de qualidade, quem ganha não é só o turista. Quem ganha é o buziano.

    E esse é o único desenvolvimento que vale a pena.

     

     

     

     




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