EUA deveriam fiscalizar IA no mundo todo, diz chefe do Google DeepMind

Resumo
O CEO do Google DeepMind, Demis Hassabis, defendeu a criação de uma entidade internacional, liderada pelos Estados Unidos, para fiscalizar modelos avançados de inteligência artificial antes de se tornarem públicos.
Hassabis apresentou a ideia em um artigo de opinião no LinkedIn em que afirma que a força técnica, econômica e científica do país no setor de IA justificaria o comando da entidade. A instituição avaliaria riscos e poderia recomendar que novas tecnologias fossem adiadas pela indústria.
A proposta mira os chamados modelos de fronteira, nome usado para sistemas mais avançados, com capacidade de executar tarefas complexas e potencial impacto em áreas como segurança, economia, ciência e informação.
O vencedor do Nobel de Química sugere uma estrutura inspirada em entidades já existentes, reunindo cientistas independentes e representantes de comunidades de código aberto. Esse grupo ficaria responsável por avaliar riscos técnicos e possíveis impactos sociais. Se um sistema fosse considerado perigoso, a entidade poderia recomendar uma desaceleração coordenada no setor.
Governo Trump já supervisiona IA nos EUA

Ainda que a tal entidade não exista, o governo estadunidense já supervisiona lançamentos recentes das grandes desenvolvedoras de IA do país e passou a ter a palavra final sobre a distribuição dos novos modelos.
Nas últimas semanas, Anthropic e OpenAI tiveram modelos barrados pela administração de Donald Trump, pelo alto potencial de uso das ferramentas por cibercriminosos.
A empresa de Sam Altman teve que adiar o lançamento do novo modelo GPT-5.6 para o público geral, o que só ocorreu na semana passada, enquanto a dona do Claude foi proibida, em meados de junho, de liberar os modelos Fable 5 e Mythos 5 para estrangeiros (mesmo aqueles que estivessem dentro dos EUA).
A permissão para a expansão do uso do Fable 5 só veio neste mês, enquanto o Mythos 5 segue limitado ao uso de empresas parceiras, por decisão da própria Anthropic.
Segundo o portal Axios, o chefe do Google DeepMind vem discutindo a proposta com autoridades e lideranças do setor há meses, incluindo integrantes do governo de Donald Trump. Ao portal, Hassabis disse que espera ver a organização estruturada ainda este ano, e que a recepção dentro do governo tem sido “muito positiva”.
Promessa pela AGI

Para Hassabis, a velocidade em que os modelos de IA vem evoluindo justifica a criação da entidade. Segundo ele, a inteligência artificial geral, ou AGI, pode estar a “apenas alguns poucos anos de distância”.
AGI é o termo usado para descrever sistemas capazes de igualar ou superar humanos em diferentes tipos de tarefa intelectual. Ainda não há consenso sobre quando — ou se — isso será alcançado, mas a corrida para chegar até essa superinteligência faz com que a indústria gaste bilhões anualmente em infraestrutura e em novas contratações.
O último ano foi bastante decepcionante para as companhias que tentaram atingir a AGI. Novos modelos como a família Llama 4, da Meta, e o próprio GPT-5, da OpenAI, não tiveram evoluções tão significativas em termos de aprendizagem.
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