Crise das memórias: venda de PCs cai pela primeira vez em dois anos

Resumo
Não poderia ser diferente: a escalada de preços de componentes como memórias RAM e SSDs (entre outros) fez as vendas de PCs caírem em escala global. De acordo com a IDC, o segmento encolheu 4,9% no segundo trimestre de 2026 em relação ao mesmo período do ano anterior. Foram 68,2 milhões de unidades despachadas pelos fabricantes nos três meses anteriores.
A ironia dessa história é que a tendência natural seria a de crescimento. Isso porque o Windows 10 deixou de ser suportado pela Microsoft em outubro de 2025, portanto, era de se esperar que a busca por PCs novos, baseados no Windows 11, movimentasse o setor.
De certa forma, movimentou. A IDC destaca que, nos nove trimestres anteriores (do começo de 2024 até o segundo trimestre de 2026), a indústria de PCs viu as vendas aumentarem.
Em termos de demanda, ainda havia espaço para esse ritmo ser mantido. Porém, os sucessivos aumentos de preços de componentes, com destaque para as memórias RAM, não permitiram a continuidade.
Sim, uma das razões é que, com componentes mais custosos, PCs ficaram caros a ponto de consumidores e organizações adiarem ou até cancelarem a compra desses equipamentos.
Mas há outro fator que explica o declínio mais recente: houve uma antecipação de pedidos de PCs no fim de 2025 e começo de 2026 por parte de organizações que queriam escapar, tanto quanto possível, dos aumentos de preços de componentes; o atendimento a esses pedidos fez as demandas posteriores diminuírem.
O efeito disso é que, embora as vendas tenham caído no terceiro trimestre de 2026, em linhas gerais, fabricantes de PCs tiveram um aumento de receita. Portanto, é o mercado consumidor que mais tem sentido os efeitos da crise.

Preços altos como o “novo normal”
Isso não quer dizer que a indústria não esteja preocupada. Recentemente, a Lenovo alertou que os preços elevados das memórias são o “novo normal”, dando a entender que a indústria e o mercado como um todo devem se preparar para essa nova realidade.
Tanto é assim que a situação não deverá ser melhor no segundo semestre de 2026, prevê a IDC:
Considerando o agravamento das condições macroeconômicas e a escassez de memórias que não deve diminuir até o início de 2028, não esperamos outra rodada de antecipação de estoques, o que aponta para uma forte desaceleração nas taxas de crescimento no segundo semestre de 2026.
Os fornecedores estão se preparando para novos aumentos de preços em 2027, e os canais de distribuição já estão demonstrando preocupação com os altos níveis de estoque nesses preços mais elevados.
Jitesh Ubrani, diretor de pesquisa de dispositivos de consumo da IDC
Crise das memórias: venda de PCs cai pela primeira vez em dois anos




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