12º Congresso Mundial da World Free Zones Organization
No Panamá, presidente da ABRAZPE defende nova geração de zonas francas
No Panamá, presidente da ABRAZPE defende nova geração de zonas francas
FPX 13/05/2026
O presidente da ABRAZPE (Associação Brasileira das Zonas de Processamento de Exportação), Helson Braga, defendeu a transformação das zonas francas em plataformas estratégicas para inovação, industrialização e integração econômica durante palestra realizada no 12º Congresso Mundial da World Free Zones Organization, no Panamá.
Braga participou do painel “Pioneering Next-Gen Operations for Shared Prosperity”, voltado à cooperação econômica entre países do BRICS+ e às mudanças no comércio global diante das novas disputas geopolíticas e tecnológicas.
Durante a apresentação, o dirigente brasileiro afirmou que o mundo vive uma das maiores transformações econômicas desde o fim da Guerra Fria, marcada pela consolidação de uma ordem multipolar, pela regionalização das cadeias produtivas e pela busca de maior resiliência industrial. Segundo ele, as zonas econômicas especiais deixam de ser apenas instrumentos de incentivo fiscal e passam a ocupar papel central nas estratégias nacionais de desenvolvimento.
“O desafio não é apenas modernizar as zonas francas. O desafio é redefinir sua missão dentro da nova arquitetura da economia global”, afirmou Helson Braga durante a palestra.
O presidente da ABRAZPE destacou ainda que as novas zonas econômicas precisam incorporar inteligência artificial, digitalização, logística inteligente, sustentabilidade ambiental e governança tecnológica para se manterem competitivas no cenário internacional. Entre os pontos citados estão sistemas de energia renovável, economia circular, logística de baixo carbono e integração digital de operações.
Ao abordar o caso brasileiro, Braga afirmou que a modernização recente das ZPEs ampliou o potencial do país na atração de investimentos e no fortalecimento industrial. Ele citou setores como hidrogênio verde, data centers, agronegócio avançado, energia renovável e processamento mineral como áreas em expansão dentro das zonas de processamento de exportação brasileiras.
O painel reuniu representantes de governos, investidores e lideranças internacionais ligadas às zonas francas e ao comércio exterior, com foco na construção de mecanismos multilaterais de cooperação econômica entre países emergentes.
Helson Braga defende ZPEs como eixo do Mercosul
O presidente da ABRAZPE, Helson Braga, afirmou que o Brasil vive uma nova fase de expansão e modernização das ZPEs durantea palestra “Brasil y el nuevo papel de las ZPE en el MERCOSUR”. Braga destacou que o país começou a compreender de forma mais ampla o papel estratégico das zonas de processamento de exportação na integração econômica regional e na atração de investimentos internacionais.
Segundo ele, o modelo brasileiro permaneceu limitado durante décadas devido ao perfil historicamente protecionista da economia nacional e ao excesso de burocracia regulatória. Atualmente, porém, o cenário começa a mudar com avanços legislativos, ampliação de projetos privados e modernização do marco regulatório das ZPEs.
Braga ressaltou que uma das mudanças mais importantes ocorreu em 2021, quando o Brasil passou a permitir a inclusão do setor de serviços dentro das ZPEs. A partir disso, estruturas voltadas a data centers, plataformas digitais, tecnologia, processamento de dados e economia digital passaram a ganhar espaço dentro do modelo brasileiro.
“As ZPE deixaram de ser vistas apenas como plataformas industriais e passaram a se posicionar também como polos de inovação, infraestrutura digital e serviços globais”, afirmou o presidente da ABRAZPE.
Durante a palestra, Helson Braga também defendeu maior harmonização regulatória entre os países do Mercosul, além de regras mais rígidas de certificação de origem e integração logística regional. Para ele, o bloco precisa ser tratado como um “mercado doméstico ampliado”, capaz de fortalecer cadeias produtivas regionais diante das novas transformações do comércio internacional.
O dirigente citou ainda o potencial estratégico dos corredores bioceânicos e das ZPEs localizadas em áreas de fronteira, que podem funcionar como polos de integração continental e facilitar o acesso sul-americano aos mercados asiáticos.
Na avaliação da entidade, setores ligados à transição energética, hidrogênio verde, agronegócio avançado, processamento mineral e economia digital devem liderar a nova etapa de crescimento das zonas de processamento brasileiras.
Economia global
O Panamá sedia entre os dias 12 e 14 de maio de 2026 o 12º Congresso Mundial da World Free Zones Organization (World FZO), evento que reúne autoridades, empresários e especialistas para discutir o futuro das zonas francas e do comércio internacional.
Com o tema “Free Zones in the New Global Operating Model: Challenges and Opportunities”, o encontro tem debates sobre transformação digital, inteligência artificial, sustentabilidade, logística global e novos modelos econômicos em meio às mudanças geopolíticas e comerciais no mundo.
A programação traz painéis ministeriais, reuniões internacionais e fóruns voltados à integração econômica, além de discussões sobre transição verde, cadeias produtivas regionais e modernização da infraestrutura industrial. O congresso também aborda o papel das zonas francas como instrumentos para atração de investimentos e inovação tecnológica.
Entre os participantes estão o presidente do Panamá, José Raúl Mulino, a diretora-geral da Organização Mundial do Comércio, Ngozi Okonjo-Iweala, além de representantes da ONU, Banco Interamericano de Desenvolvimento, CAF e autoridades de diversos países.
O evento é realizado na Cidade do Panamá e conta ainda com visitas técnicas ao Canal do Panamá e à Zona Franca de Colón, considerada uma das maiores áreas de livre comércio do mundo.




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