JJ
A VIRADA É NOSSA!
Para quem sonhou, para quem partiu e para quem ainda se recusa a desistir do Brasil.
A VIRADA É NOSSA!
Por JJ
Para quem sonhou, para quem partiu e para quem ainda se recusa a desistir do Brasil.
Hoje acordei sob os raios de sol, Com sonhos acesos, mirando o arrebol, Peguei o metrô, coração em movimento, Djavan nos ouvidos, memórias no pensamento.
Vou rumo a Itaquera, levando a emoção, Os anos se encontram dentro do coração, E o tempo me leva, com força e beleza, À chama de oitenta e nove, à nossa certeza.
Era a juventude, era a primeira votação, Era a esperança pulsando em cada coração, E os mestres comigo, num domingo chuvoso, Rumo à Cidade Tiradentes, num sonho grandioso.
No Fiat 147, de Lilian Martins, Eu guiava a esperança por tantos caminhos, Do Belenzinho à Mooca, estrada a percorrer, Com debates, risadas e um país por fazer.
Quantos quilômetros de sonhos rodados, Quantos ideais nos olhares cruzados! Na chuva, aprendemos uma grande lição: Não se planta o futuro sem luta e união.
Naquele caminho, tão simples, tão forte, Desafiamos o medo, desafiamos a sorte, Pois havia uma estrela brilhando no ar: O direito de sonhar, de lutar e de amar!
E o tempo passou, tanta história vivida, Tanta luta travada, tanta estrada percorrida, Hoje olho pra trás, com saudade e emoção, E encontro os ausentes dentro do coração.
Lilian, Marluce, que a vida levou, Deixaram sementes do amor que ficou, E Ilze e Zuza, minhas irmãs queridas, Foram ceifadas em doloridas despedidas.
A COVID levou tantos sonhos, tantos laços, Deixou mesas vazias, silêncios nos braços, João Bosco, Lourival, Elísio e tantos irmãos, Que a dor não apagou das nossas recordações.
E quando eu me lembro de cada partida, A saudade me fere, mas também me dá vida, Porque quem parte não leva o que plantou: O amor vira memória, e a memória vira amor!
Por isso eu vou, não caminho sozinho, Levo os que partiram comigo no caminho, Levo a voz dos ausentes, a força dos meus, A saudade da terra, a esperança de Deus.
Vou por minha história, por minha gente, Pelo Brasil que resiste, que sonha e que sente, Por você que não foge, que não cruza os braços, Que ainda acredita em reconstruir os pedaços.
Não posso ficar diante da ameaça calado, Nem ver nosso futuro por medo hipotecado, Pois quem conheceu a esperança florescer Sabe que a liberdade exige acontecer!
A virada é nossa! Que ecoe a canção, Que desperte nas ruas a força da união, Que cada lágrima regue um novo amanhã, Que a esperança floresça em cada manhã!
Não queremos mais luto, abandono ou temor, Queremos respeito, justiça e amor, Queremos um Brasil onde a vida floresça, Onde ninguém tenha medo, onde ninguém se esqueça!
E se a caminhada parecer tão comprida, Se a saudade pesar, se doer a ferida, Recordemos os sonhos que nos fizeram lutar: Há futuros inteiros esperando pra chegar!
Hoje sou mais maduro, mas não me rendi, O jovem de oitenta e nove ainda vive em mim, Aquele que cruzou a cidade na chuva Ainda traz no peito a esperança que muda.
Vou a Itaquera, por todos nós, Pelos que já partiram, pelos que têm voz, Pelos que resistem, pelos que virão, Por um Brasil de justiça, respeito e união!
Que o medo não vença, que a dor não nos cale, Que a esperança resista, que a verdade prevaleça, Que a democracia seja o nosso estandarte, E que a vida nos chame para uma nova parte!
E quando eu chegar, sob o céu de Itaquera, Levarei no meu peito a memória que impera: Cada rosto, cada sonho, cada luta ancestral, Cada vida que importa na história nacional.
A virada é nossa! Que se ouça a multidão! Que a esperança não morra, que floresça a nação! Que o passado nos ensine, que o futuro aconteça, E que a liberdade jamais desapareça!
Lula 13! — diz a voz da minha caminhada, A escolha que faço, minha história lembrada, Pela democracia, pelo sonho de viver, Por um Brasil onde ninguém precise temer!
E que a velha promessa, tão bela e tão nossa, Atravesse os anos, resista e floresça:
QUE NUNCA MAIS, NUNCA MAIS, NINGUÉM TENHA MEDO...
DE SER FELIZ!
JJ é Sociólogo, Jornalista, Escritor, Poeta, Internacionalista e Capoeira




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