Carmem Teresa Elias
VITIMISMO: do padrão pessoal ao jogo politico
A exploração do vitimismo político!
VITIMISMO: do padrão pessoal ao jogo politico
Vitimismo é um padrão de comportamento que leva o indivíduo a acionar desculpas e a se posicionar constantemente no papel de vítima das circunstâncias ou de outras pessoas.
Ao invés de assumir limitações ou enfrentá-las, no vítimismo a postura comum de um indivíduo é a de se aproveitar justamente de suas fraquezas para se aproveitar a empatia ou da piedade alheia.
Um “sofredor da situação” ao invés de assumir ou investir em aprimorar de alguma forma sua capacitação, aprende a manipular a resposta do outro: faz o mínimo, alega dor, sofrimento, e espera que o empático atue em seu amparo e defesa.
Essa postura, no fundo, é caracterizada pela recusa em assumir responsabilidade, seja por falhas pessoais, seja pela crença de que o mundo conspira contra si e ainda pelo foco excessivo que dedica a reclamações.
Diante do vitimismo costumo lembrar do comportamento oposto: quem imagina o físico Stephen Hawking indo a público para se queixar repetidamente de sua esclerose lateral amiotrófica? Apesar da condição de total degeneração física, Hawking persistiu em atividade, desenvolvendo sua pesquisa, seu trabalho.
A escritora Helen Keller, apesar de cega e surda desde a infância, superou suas deficiências exercendo forte papel como ativista social.
Com sequelas físicas severas e dores crônicas, Frida Khalo tornou-se um ícone global das artes plásticas e uma defensora das mulheres e dos povos originários.
Louis Braille, cego aos três anos após um acidente, desenvolveu o sistema Braille de leitura.
O vitimista, por outro lado, explora sua condição como zona de conforto, por razões psicológicas inconscientes, ou por interesses de manipular. Seja qual for o processo, a pessoa busca atrair atenção, validação ou isenção de culpa.
Segundo a Psicologia, um dos mecanismos que prevalecem é a Fuga da responsabilidade, que se manifesta pela transmissão de uma suposta culpa de fracassos e frustrações para fatores externos ou terceiros. O vitimista cria um algoz externo a si, enquanto dispersa sua própria energia em lamentações para que outros busquem para ele soluções que ele mesmo se nega a galgar. O resultado pode tanto provocar isolamento como pode comover multidões e iludir massas pelo forte impacto persuasivo. É justamente neste aspecto que o vitimismo se cria como uma perspectiva social e política. A Historia humana contém vários exemplos de políticos que se aproveitam de discursos vitimistas para se elegerem. Quanto já não entregam seu voto à artimanha estrategista do incapaz vitimado por uma simulação de atentado contra sua vida ? O efeito desejado é alcançado na mente popular é transformar a condição de vítima em um status moral que exige atenção e privilégios, mesmo que essa condição seja, por exemplo, soluços!
Existe também a exploração do vitimismo político em alegações de perseguições, desigualdades, injustiças. A ex-primeira dama, por exemplo, relata ter sido "apunhalada" como motivo para deixar sua atuação em determinada função partidária. Interessante como fez uso do mesmo termo que seu marido ex-presidente, eleito após ter sido “ apunhalado”…. Será que busca a mesma comoção social e ser declarada o novo mito nacional? Será que o modelo de vitimismo vai se perpetuar nas eleições?
Carmem Teresa Elias




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