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Barra Mansa,24/06/2026

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    JJ

    O Brasil não é Quintal de Trump

    A palavra de ordem é ampliar para resistir.


    O Brasil não é Quintal de Trump

    O Brasil não é Quintal de Trump

    Por JJ

    Donald Trump não publicou uma mensagem qualquer. Ele compartilhou, em sua rede Truth Social, um artigo da Newsmax que trata a eleição presidencial brasileira como o seu “próximo grande teste político” na América Latina. O texto aponta o Brasil como centro da disputa continental, sugere que uma vitória da direita alteraria o mapa político da região e, mais grave ainda, alimenta questionamentos sobre a integridade do sistema eleitoral brasileiro e sobre a legitimidade futura do processo.

    Não se trata de comentário inocente. Não é uma observação distante de quem acompanha a política internacional. É uma intervenção política calculada.

    Quando o presidente dos Estados Unidos divulga um artigo que transforma a eleição brasileira em peça de seu projeto geopolítico, ele está dizendo que o Brasil faz parte de sua agenda. Está dizendo que o resultado eleitoral brasileiro interessa diretamente ao governo norte americano. Está dizendo, ainda que de forma indireta, que a vitória de uma direita subordinada a Washington seria tratada como triunfo estratégico dos Estados Unidos na América Latina.

    É preciso compreender a gravidade.

    Trump não fala do Brasil como uma nação soberana, com povo, instituições e interesses próprios. Fala como quem observa um território decisivo para a correlação de forças do continente. Como quem imagina que o Brasil deve voltar a cumprir o papel de país subordinado, de aliado automático, de quintal político e econômico de Washington.

    A postagem ocorre em um contexto ainda mais preocupante. Trump já atacou Lula, classificou o Brasil como politicamente perigoso e demonstrou simpatia aberta pela família Bolsonaro. Lula respondeu corretamente ao afirmar que Trump pode gostar de quem quiser, mas não deve se meter nas eleições brasileiras. O problema é que Trump não parece disposto a respeitar essa fronteira.

    A extrema direita brasileira, por sua vez, atua como ponte dessa ingerência. Flávio Bolsonaro e seu grupo político compreendem que a proximidade com Trump lhes dá força simbólica, projeção internacional, apoio de redes digitais e capacidade de pressão sobre as instituições brasileiras. Não se trata apenas de afinidade ideológica. Trata-se de uma relação política concreta, em que setores brasileiros se oferecem como representantes locais de uma estratégia estrangeira.

    É por isso que a eleição de 2026 não pode ser vista apenas como disputa entre candidatos nacionais. Ela será uma disputa entre projetos de país.

    De um lado, estará a ideia de um Brasil soberano, capaz de decidir seu futuro, negociar com o mundo sem submissão e preservar suas instituições democráticas. Do outro, estará uma força política que busca legitimidade fora do país, que se alimenta de campanhas internacionais, que reproduz métodos da extrema direita norte americana e que parece disposta a transformar a soberania brasileira em moeda de troca.

    A experiência recente ensina que a interferência estrangeira não precisa ocorrer por meio de tropas, golpes clássicos ou operações secretas. Ela pode vir por sanções econômicas, tarifas, pressão diplomática, financiamento indireto de redes de comunicação, campanhas digitais, produção de medo, disseminação de mentiras e ataque sistemático à confiança nas eleições.

    O roteiro é conhecido.

    Primeiro, questiona-se a urna.

    Depois, questiona-se a Justiça Eleitoral.

    Em seguida, questiona-se a legitimidade do resultado.

    Por fim, caso a extrema direita seja derrotada, prepara-se o terreno para uma crise institucional, para mobilizações antidemocráticas e para a narrativa de fraude.

    Foi assim nos Estados Unidos. Foi assim no Brasil em 2022. E não há motivo para acreditar que os mesmos setores abandonarão esse método agora. A extrema direita brasileira aprendeu com Trump a transformar derrota eleitoral em teoria conspiratória e frustração política em combustível para desestabilização institucional.

    O maior risco, porém, está na subestimação.

    O governo Lula e o PT parecem não levar plenamente a sério a capacidade de influência dos Estados Unidos sobre a política brasileira. Isso é perigoso. Os Estados Unidos possuem força econômica, capacidade diplomática, poder tecnológico, influência cultural e redes de comunicação que alcançam milhões de brasileiros diariamente. Ignorar isso é cometer um erro estratégico.

    Não basta confiar que a verdade vencerá sozinha. Não basta acreditar que a democracia se defenderá automaticamente. Não basta tratar a ofensiva trumpista como bravata.

    É necessário organizar uma frente nacional de defesa da soberania brasileira.

    Essa frente não pode ser limitada à esquerda tradicional. Ela precisa reunir trabalhadores, movimentos populares, intelectuais, empresários comprometidos com a economia nacional, militares legalistas, lideranças religiosas, democratas de centro e também setores da direita que não aceitam transformar o Brasil em satélite de Washington.

    Há brasileiros conservadores que discordam do governo, mas não aceitam ingerência estrangeira.

    Há brasileiros liberais que defendem o mercado, mas não aceitam que tarifas, sanções e pressões externas sejam usadas para moldar a política nacional.

    Há patriotas de verdade que sabem que patriotismo não é usar bandeira importada, repetir palavras de ordem estrangeiras ou pedir ajuda a Trump para vencer eleição no Brasil.

    Patriotismo é defender a soberania nacional.

    Patriotismo é garantir que a eleição seja decidida pelo povo brasileiro.

    Patriotismo é impedir que o Brasil seja tratado como laboratório da extrema direita internacional.

    A palavra de ordem é ampliar para resistir.

    Ampliar a consciência sobre a ameaça.

    Ampliar a defesa das instituições.

    Ampliar o diálogo com todos os setores comprometidos com a independência nacional.

    Ampliar a frente democrática e patriótica antes que seja tarde.

    O Brasil não pode assistir passivamente a uma potência estrangeira tratar sua eleição como teste político próprio. Não pode aceitar que Trump, os Bolsonaro e a extrema direita internacional transformem a democracia brasileira em instrumento de seus interesses.

    A eleição brasileira pertence ao povo brasileiro.

    O Brasil não é quintal de Trump.

    E quem ama esta nação precisa se unir para defendê-la.

    JJ é Sociólogo, Jornalista, Escritor, Poeta, Internacionalista e Capoeira 



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