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Barra Mansa,21/06/2026

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    JJ

    PESQUISAS NÃO ELEGEM

    A BATALHA SERÁ DURA


    PESQUISAS NÃO ELEGEM

    PESQUISAS NÃO ELEGEM, MAS ALERTAM: A BATALHA SERÁ DURA

    Por JJ

    Repito uma observação que faço há anos: pesquisas eleitorais são retratos do momento, não sentenças sobre o futuro. Elas revelam tendências, humores, rejeições, medos e expectativas de uma sociedade em determinado instante. Não substituem a política, a campanha, a organização popular, a comunicação e os acontecimentos que ainda virão.

    Neste momento, uma parcela importante da população está com os olhos na Copa do Mundo, nas festas juninas, na vida cotidiana e, sobretudo, na profunda desconfiança que nutre em relação aos políticos. A eleição ainda não ocupa integralmente a consciência nacional. Por isso, qualquer leitura séria precisa evitar tanto a euforia quanto o derrotismo.

    Mas seria um erro grave ignorar os sinais que a recente pesquisa Datafolha apresenta.

    A mídia tende a concentrar suas manchetes mais espetaculosas nas projeções de segundo turno. O primeiro turno sequer aconteceu, as candidaturas ainda não passaram pelo crivo definitivo das convenções, a campanha de rua não começou plenamente, os debates não ocorreram, mas já se constrói uma narrativa de disputa apertada para o confronto final. Não se trata apenas de informar. Trata-se também de produzir ambiente político, de induzir expectativas, de alimentar a sensação de que o país está inevitavelmente dividido ao meio.

    O primeiro turno, porém, é decisivo. É nele que se mede a força real de cada campo político, a capacidade de ampliar alianças, reduzir rejeições, mobilizar bases sociais e apresentar um projeto de país que fale à vida concreta do povo. Transformar antecipadamente a eleição em uma espécie de plebiscito de segundo turno é uma forma de estreitar o debate e reduzir a complexidade da disputa nacional.

    Dito isso, é preciso registrar com clareza: a extrema direita e a direita seguem muito fortes no Brasil. Não se trata de um fenômeno passageiro. Há cerca de oito anos, esse campo mantém um patamar eleitoral elevado, presença social, capacidade de comunicação, influência religiosa, força nas redes digitais e ampla penetração em setores populares.

    A extrema direita não depende apenas de uma candidatura. Ela construiu linguagem, identidade, ressentimentos, símbolos, lideranças locais e uma máquina permanente de mobilização. Alimenta a antipolítica, explora o medo, simplifica problemas complexos e oferece respostas autoritárias para crises reais. Enquanto isso, a direita tradicional procura se reorganizar, muitas vezes se beneficiando do desgaste da polarização, mas sem romper integralmente com a agenda conservadora.

    As forças progressistas precisam compreender que não basta denunciar o extremismo. É necessário disputar corações, mentes e condições materiais de vida. É preciso falar de emprego, renda, moradia, segurança pública, transporte, saúde, educação, cultura e dignidade. É preciso estar onde o povo está, nos bairros, nos locais de trabalho, nas igrejas, nos coletivos, nas redes e nas ruas.

    A eleição não será vencida por inércia, nem apenas pela memória do que já foi feito. Será vencida pela capacidade de apresentar futuro, organizar esperança e demonstrar que democracia não é uma abstração, mas comida no prato, respeito, oportunidade e proteção para quem mais precisa.

    A pesquisa é um retrato. A batalha eleitoral, porém, será travada todos os dias. E ela será dura.

     JJ é Sociólogo, Jornalista, Escritor, Poeta, Internacionalista e Capoeira 



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