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Barra Mansa,20/06/2026

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    JJ

    Segurança Pública:

    Propaganda, improviso e fracasso


    Segurança Pública:

    Segurança Pública: propaganda, improviso e fracasso

    Por JJ

    A segurança pública voltou a ocupar, mais uma vez, as manchetes dos jornais, os programas de rádio, os telejornais e as redes sociais. Infelizmente, não pelos avanços conquistados, mas pela repetição de tragédias que expõem a falência de um modelo de gestão baseado muito mais na aparência do que na eficiência.

    Há décadas, a direita e, mais recentemente, a extrema direita brasileira vendem uma solução simplista para um problema extremamente complexo. Seu receituário é conhecido: aumentar efetivos, comprar mais armas, adquirir novas viaturas, instalar câmeras em cada esquina e multiplicar operações ostensivas. Tudo isso produz belas imagens para a propaganda oficial, rende manchetes favoráveis e alimenta a sensação de ação governamental. Porém, na prática, os resultados permanecem decepcionantes.

    A criminalidade não se combate apenas com força. Combate-se, sobretudo, com inteligência, planejamento, formação adequada e integração entre os diversos órgãos do Estado. Quando essas dimensões são negligenciadas, o que resta é apenas um espetáculo caro e ineficaz.

    O bairro de Pinheiros, na capital paulista, é um exemplo eloquente dessa contradição. Trata-se de uma das regiões mais monitoradas da cidade. Câmeras observam praticamente todos os movimentos dos cidadãos. Viaturas da Guarda Civil Metropolitana e da Polícia Militar circulam constantemente. A presença policial é ostensiva e visível.

    Ainda assim, os roubos de celulares seguem ocorrendo em níveis alarmantes. Moradores e frequentadores convivem diariamente com a sensação de insegurança. Caminhar pelas alamedas do bairro tornou-se um exercício permanente de atenção e cautela. O cidadão observa as câmeras, vê as viaturas, paga impostos e, mesmo assim, continua vulnerável.

    Isso levanta uma pergunta inevitável: qual é a finalidade de tanto aparato se o resultado continua sendo a insegurança?

    A resposta talvez esteja no fato de que segurança pública não se mede pela quantidade de equipamentos adquiridos, mas pela capacidade do Estado de prevenir crimes, proteger vidas e produzir confiança social.

    Nos últimos anos, São Paulo assistiu à expansão de tecnologias de vigilância sem que houvesse, na mesma proporção, investimentos consistentes na qualificação humana dos agentes públicos. Equipamentos são importantes. Mas equipamentos não substituem treinamento. Câmeras não substituem discernimento. Armas não substituem preparo psicológico.

    A recente circulação, nas redes sociais, de imagens mostrando um jovem policial militar atirando contra um cidadão autista em plena via pública é um retrato dramático dessa realidade. As imagens causaram perplexidade justamente porque levantam dúvidas profundas sobre protocolos, treinamento e capacidade de avaliação de risco.

    Após o disparo, vê-se um agente emocionalmente abalado, chorando, rezando e aparentemente arrependido. A tragédia, porém, já havia acontecido. Um cidadão estava morto.

    Independentemente das conclusões jurídicas e administrativas que venham a ser produzidas, o episódio expõe uma questão central: policiais não podem ser lançados às ruas apenas armados. Precisam estar preparados técnica, emocional e psicologicamente para lidar com situações complexas, sobretudo em uma sociedade marcada pela diversidade de comportamentos, condições e vulnerabilidades.

    Governos responsáveis investem em inteligência. Investem em prevenção. Investem em formação continuada. Investem na construção de protocolos modernos e no acompanhamento psicológico permanente de seus agentes.

    O atual governo paulista, entretanto, parece mais interessado em construir narrativas do que em enfrentar as causas estruturais do problema. A publicidade oficial frequentemente apresenta uma realidade muito mais otimista do que aquela vivida pelo cidadão comum. Enquanto isso, indicadores de violência, episódios de abuso policial e a persistente sensação de insegurança continuam alimentando a descrença da população.

    Segurança pública não é palco para marketing político. Não é espaço para slogans ideológicos nem para a importação de discursos estrangeiros travestidos de soluções milagrosas. São Paulo precisa de um projeto próprio, baseado na realidade paulista e comprometido com os interesses dos paulistas.

    A sociedade tem o direito de exigir uma polícia eficiente e respeitada. Mas também tem o direito de exigir uma polícia preparada, equilibrada e capaz de proteger sem transformar cada abordagem em uma potencial tragédia.

    Mais armas, mais câmeras e mais viaturas podem produzir excelentes fotografias para campanhas publicitárias. O que não produzem, necessariamente, é segurança.

    E segurança é exatamente aquilo que continua faltando.

    Vade retro, propaganda. O povo de São Paulo merece muito mais.

    JJ é Sociólogo, Jornalista, Escritor, Poeta, Internacionalista e Capoeira 




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