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Barra Mansa,17/06/2026

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    Paulo Moreira

    Drogas: um problema interminável?

    A lição que não foi aprendida


    Drogas: um problema interminável?

    Drogas: um problema interminável?

    Por Paulo Moreira

    A cada 100 pessoas presas no Brasil, 28 cumprem pena ou respondem por crimes ligados a drogas. E, surpreendentemente,  não importa quantas pessoas sejam presas ou o quão alto elas estejam na hierarquia do tráfico, o "negócio" em si segue inabalável. 

    Como no mito da Hidra, a cada cabeça que é cortada,  duas outras crescem. Em Volta Redonda, recentemente,  o chefe do "movimento" em um bairro foi morto durante uma operação policial. Em uma semana, a venda de maconha, crack e cocaína já acontecia normalmente. 

    Por isso, é comum o uso do termo "enxugar gelo" para descrever o combate ao tráfico. E nessa ação, ocorrem mortes de suspeitos, de policiais e de pessoas que, por infelicidade,  estavam no lugar e na hora erradas.

    Além das vidas, o combate ao tráfico custa caro: equipamentos e munição para as polícias, prejuízos a particulares, destruição de patrimônio público...

    A lição que não foi aprendida 

    Entre 1920 e 1933, os Estados Unidos proibiram a venda de bebidas alcoólicas.  A consequência mais evidente foi o fortalecimento da Máfia, que encontrou uma fonte de receita no que hoje poderia ser chamado de "tráfico" de álcool. 

    A proibição acabou sendo revogada e o álcool,  que não perde em efeitos negativos para drogas como maconha e cocaína, pode ser vendido livremente a qualquer pessoa que tenha atingido a maioridade.

    A LEAP

    A Law Enforcement Against Proibition (Leap) é uma organização sem fins lucrativos que reúne, nos Estados Unidos e na Inglaterra,  policiais, juízes e promotores que acreditam que a proibição pura é simples não é a melhor forma de combater o uso de drogas.

    Eles não propõem que se deixe as drogas rolarem soltas. Só acreditam que há remédios mais efetivos contra o tráfico do que balas ou algemas.

    O exemplo do tabaco

    No Brasil, não há restrições à venda de produtos derivados do tabaco para maiores de 18 anos.

    No entanto, a propaganda de cigarros e outros derivados do tabaco é proibida e as embalagens desses produtos contêm mensagens advertindo sobre os riscos do fumo.

    Essas medidas foram efetivas até recentemente. No entanto, em 2025, o Brasil voltou a registrar aumento na quantidade de fumantes.

    A recomendação do Ministério da Saúde, contudo, não é caminhar na direção da proibição. É ir na direção da educação. 

    Se fumar for visto como algo que não é "legal", "maneiro", "descolado" ou qualquer que seja a gíria da vez, os jovens não vão começar a fumar e o número de fumantes vai voltar a diminuir.

    Por extensão 

    Talvez "bater de frente" com as drogas não seja a melhor solução. Dialogar com os usuários efetivos e potenciais pode ser um pouco mais lento, mas os efeitos serão permanentes. 

    Nenhum traficante vai manter uma "boca" ou "biqueira" se não houver usuários.



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