Paulo Moreira
Drogas: um problema interminável?
A lição que não foi aprendida
Drogas: um problema interminável?
Por Paulo Moreira
A cada 100 pessoas presas no Brasil, 28 cumprem pena ou respondem por crimes ligados a drogas. E, surpreendentemente, não importa quantas pessoas sejam presas ou o quão alto elas estejam na hierarquia do tráfico, o "negócio" em si segue inabalável.
Como no mito da Hidra, a cada cabeça que é cortada, duas outras crescem. Em Volta Redonda, recentemente, o chefe do "movimento" em um bairro foi morto durante uma operação policial. Em uma semana, a venda de maconha, crack e cocaína já acontecia normalmente.
Por isso, é comum o uso do termo "enxugar gelo" para descrever o combate ao tráfico. E nessa ação, ocorrem mortes de suspeitos, de policiais e de pessoas que, por infelicidade, estavam no lugar e na hora erradas.
Além das vidas, o combate ao tráfico custa caro: equipamentos e munição para as polícias, prejuízos a particulares, destruição de patrimônio público...
A lição que não foi aprendida
Entre 1920 e 1933, os Estados Unidos proibiram a venda de bebidas alcoólicas. A consequência mais evidente foi o fortalecimento da Máfia, que encontrou uma fonte de receita no que hoje poderia ser chamado de "tráfico" de álcool.
A proibição acabou sendo revogada e o álcool, que não perde em efeitos negativos para drogas como maconha e cocaína, pode ser vendido livremente a qualquer pessoa que tenha atingido a maioridade.
A LEAP
A Law Enforcement Against Proibition (Leap) é uma organização sem fins lucrativos que reúne, nos Estados Unidos e na Inglaterra, policiais, juízes e promotores que acreditam que a proibição pura é simples não é a melhor forma de combater o uso de drogas.
Eles não propõem que se deixe as drogas rolarem soltas. Só acreditam que há remédios mais efetivos contra o tráfico do que balas ou algemas.
O exemplo do tabaco
No Brasil, não há restrições à venda de produtos derivados do tabaco para maiores de 18 anos.
No entanto, a propaganda de cigarros e outros derivados do tabaco é proibida e as embalagens desses produtos contêm mensagens advertindo sobre os riscos do fumo.
Essas medidas foram efetivas até recentemente. No entanto, em 2025, o Brasil voltou a registrar aumento na quantidade de fumantes.
A recomendação do Ministério da Saúde, contudo, não é caminhar na direção da proibição. É ir na direção da educação.
Se fumar for visto como algo que não é "legal", "maneiro", "descolado" ou qualquer que seja a gíria da vez, os jovens não vão começar a fumar e o número de fumantes vai voltar a diminuir.
Por extensão
Talvez "bater de frente" com as drogas não seja a melhor solução. Dialogar com os usuários efetivos e potenciais pode ser um pouco mais lento, mas os efeitos serão permanentes.
Nenhum traficante vai manter uma "boca" ou "biqueira" se não houver usuários.




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