JJ
A Carta
É preciso reagir.
A Carta
Por JJ
A carta enviada por Flávio Bolsonaro ao secretário de Estado norte americano, , é mais do que um gesto diplomático desastrado. É a expressão acabada de uma mentalidade política submissa, colonizada e profundamente desconectada do sentimento nacional brasileiro. Tentando minimizar o desgaste provocado por sua própria postura anti nacional, o senador ensaia um jogo de cena que não esconde o essencial, a família Bolsonaro escolheu há muito tempo prestar continência aos interesses de Washington antes de defender a soberania do Brasil.
Não se trata apenas de uma carta. Trata se de um símbolo. Um documento que revela de forma cristalina a inversão de prioridades de um grupo político que primeiro demonstra lealdade aos Estados Unidos e só depois, se houver conveniência, lembra da existência do Brasil. Não por acaso, até na despedida da mensagem aparece primeiro o pedido para que Deus abençoe os Estados Unidos. O Brasil vem depois, quase como nota de rodapé. Uma vergonha para qualquer representante eleito pelo povo brasileiro.
Mais grave ainda é o contexto em que tudo isso ocorre. A movimentação da Casa Branca em relação ao cenário político brasileiro é inaceitável. O Brasil é uma nação soberana, independente, com instituições próprias e um povo capaz de decidir seu destino sem tutela estrangeira. Nenhuma potência internacional tem o direito de pressionar, interferir ou tentar moldar os rumos da democracia brasileira segundo seus interesses geopolíticos. Quando integrantes da extrema direita brasileira estimulam esse tipo de intervenção, atuam objetivamente contra os interesses nacionais.
É sintomático que o próprio Marco Rubio tenha declarado que o Brasil não seria um país “confiável”. O mesmo Brasil que mantém relações diplomáticas com dezenas de nações, que possui tradição histórica de defesa da autodeterminação dos povos e que sempre buscou uma política externa equilibrada e altiva. O problema, evidentemente, não é o Brasil. O problema é que setores do bolsonarismo acreditam que a soberania nacional pode ser negociada em troca de apoio político e alinhamento ideológico.
Essa postura entreguista precisa ser denunciada com todas as letras. Não existe patriotismo em bater continência para interesses estrangeiros enquanto se ataca as instituições nacionais. Não existe amor ao Brasil em incentivar sanções, pressões internacionais ou campanhas de desmoralização contra o próprio país. Quem age assim não defende a pátria, age como representante informal de interesses externos.
A polarização que se desenha no Brasil não será apenas entre direita e esquerda. Será entre aqueles que defendem o Brasil, sua democracia e sua soberania, e aqueles que estão dispostos a sacrificar os interesses nacionais para agradar os mandos e desmandos dos yanques. De um lado estarão os que acreditam num Brasil soberano, respeitado e independente. Do outro, os que enxergam o país como simples satélite político de Washington.
É preciso reagir. Reagir com firmeza democrática, com consciência nacional e com ampla unidade de todos os setores comprometidos com a soberania brasileira. Apenas a união daqueles que defendem o Brasil, suas instituições e sua independência poderá derrotar a sanha entreguista dos vende pátria que transformaram a submissão externa em projeto político.
JJ é Sociólogo, Jornalista, Escritor, Poeta, Internacionalista e Capoeira




COMENTÁRIOS