Moisés Lauriano de Santana
ELEIÇÕES 2026
O BRASIL DECIDE SEU FUTURO ECONÔMICO, POLÍTICO E SOCIAL NAS URNAS
ELEIÇÕES 2026:
O BRASIL DECIDE SEU FUTURO ECONÔMICO, POLÍTICO E SOCIAL NAS URNAS
Por Moisés Laureano de Santana
As eleições de 2026 já ocupam, de forma crescente, o centro do debate público brasileiro. Ainda que o calendário eleitoral pareça distante para alguns, os movimentos políticos, as articulações partidárias e as disputas narrativas já indicam que este será um dos ciclos eleitorais mais relevantes das últimas décadas. Não se trata apenas de uma mudança de governo ou de mandatos legislativos. Trata-se de uma definição de rumos estruturais para o país em um contexto de pressões econômicas, desafios sociais persistentes e reconfiguração global de forças políticas.
Do ponto de vista jurídico, o Brasil é um Estado Democrático de Direito, conforme estabelece a Constituição Federal de 1988. Isso significa que todo poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente. Nesse modelo, o voto não é um ato simbólico, mas um instrumento formal de soberania popular. Ele é o mecanismo que legitima a ocupação dos cargos públicos e que organiza a transferência periódica do poder político dentro de regras institucionais estáveis.
Essa estrutura, embora sólida, depende de um elemento essencial: a confiança social no processo democrático. E é justamente nesse ponto que o cenário contemporâneo revela tensões importantes. Nos últimos anos, tem-se observado um aumento da desconfiança em relação às instituições políticas, acompanhado por uma percepção difusa de que o sistema não responde com a rapidez ou a eficiência esperada pela sociedade.
Essa sensação de distanciamento, no entanto, precisa ser analisada com cautela. Ainda que a frustração política seja real, ela não altera a centralidade do voto como ferramenta de decisão coletiva. Ao contrário, reforça a necessidade de compreender com mais profundidade o funcionamento do sistema político e seus efeitos concretos na vida cotidiana.
As eleições de 2026 não se limitam à escolha de nomes. Elas determinam a orientação de políticas públicas que afetam diretamente áreas sensíveis da vida da população. Saúde, educação, segurança pública, transporte, habitação e assistência social são setores que dependem de decisões políticas e orçamentárias definidas por governos eleitos.
Isso significa que cada voto contribui para a formação de maiorias políticas capazes de aprovar leis, direcionar recursos e estabelecer prioridades administrativas. Em termos práticos, isso se reflete no funcionamento de hospitais, na qualidade das escolas públicas, na eficiência das forças de segurança e na capacidade de investimento do Estado em infraestrutura.
Além disso, as escolhas eleitorais influenciam diretamente o ambiente econômico. Políticas fiscais, reformas estruturais, incentivos à produção e regras de mercado são definidos por governos e legislativos eleitos. Assim, o custo de vida, o nível de emprego e a estabilidade econômica estão diretamente relacionados às decisões tomadas nas urnas.
Um dos aspectos mais sensíveis do processo eleitoral é o impacto econômico. O cidadão comum experimenta os efeitos das decisões políticas de forma concreta, ainda que nem sempre perceba sua origem institucional.
A inflação, por exemplo, não é apenas um indicador técnico. Ela se traduz no preço do supermercado, no valor do aluguel, no custo do combustível e na capacidade de compra do salário. Da mesma forma, políticas de geração de emprego e renda afetam diretamente a segurança financeira das famílias.
Nesse contexto, compreender o cenário eleitoral significa também compreender como diferentes projetos políticos podem produzir diferentes resultados econômicos. Governos com orientações distintas podem adotar políticas de austeridade ou de expansão de gastos, incentivos ao setor privado ou fortalecimento do Estado, maior abertura econômica ou proteção de setores estratégicos.
As eleições de 2026 também terão impacto direto na composição do Congresso Nacional e das assembleias legislativas. Esse aspecto é frequentemente subestimado, mas é fundamental para o funcionamento do sistema político.
O Legislativo exerce funções essenciais, como a elaboração de leis, a fiscalização do Executivo e a aprovação do orçamento público. Em muitos casos, é ele quem define os limites reais de atuação dos governos. Por isso, o resultado das eleições parlamentares pode ser tão determinante quanto a escolha do chefe do Executivo.
O equilíbrio entre os poderes é uma das garantias fundamentais do sistema democrático. Ele impede a concentração excessiva de poder e assegura mecanismos de controle institucional. No entanto, esse equilíbrio depende diretamente da composição política resultante das eleições.
O processo eleitoral contemporâneo ocorre em um ambiente altamente complexo do ponto de vista informacional. A velocidade da circulação de dados, a proliferação de conteúdos não verificados e a intensificação da polarização política criam um cenário em que a formação de opinião se torna mais difícil e, ao mesmo tempo, mais decisiva.
Nesse contexto, a responsabilidade do jornalismo e das instituições de comunicação é ainda maior. Cabe aos veículos de imprensa não apenas informar resultados e declarações, mas também contextualizar, explicar consequências e oferecer ao cidadão ferramentas para compreender o impacto real das escolhas políticas.
Ao mesmo tempo, o eleitor também assume um papel ativo nesse processo. A busca por informação qualificada, a análise crítica de conteúdos e a disposição para compreender diferentes perspectivas são elementos fundamentais para a consolidação de uma decisão consciente.
Outro ponto relevante é o impacto da participação eleitoral. Em democracias representativas, a ausência de participação não elimina o processo decisório. As eleições continuam ocorrendo, os governos continuam sendo formados e as políticas públicas continuam sendo implementadas.
No entanto, a redução da participação pode afetar a representatividade das decisões. Quando parcelas significativas da população se afastam do processo eleitoral, há um risco de concentração de influência em grupos mais organizados ou mobilizados, o que pode distorcer a relação entre sociedade e Estado.
Por isso, a participação eleitoral não deve ser vista apenas como um direito individual, mas também como um elemento estruturante da democracia.
As eleições de 2026 envolvem escolhas que vão além da disputa política imediata. Estão em jogo diferentes modelos de Estado, distintas estratégias de desenvolvimento econômico e diferentes visões sobre o papel das instituições públicas na sociedade.
Trata-se de uma disputa sobre prioridades: quanto investir em saúde e educação, como organizar a segurança pública, quais políticas adotar para geração de empregos e como equilibrar responsabilidade fiscal com inclusão social.
Essas decisões não são abstratas. Elas têm efeitos concretos e duradouros sobre a vida da população.
A democracia não é um evento isolado, mas um processo contínuo de construção institucional e participação cidadã. Ela exige engajamento, responsabilidade e compreensão dos efeitos das decisões coletivas.
As eleições de 2026 representam, portanto, mais do que uma escolha política. Elas representam uma oportunidade de definição dos rumos do país em um momento de desafios significativos e transformações profundas.
Diante disso, a questão central não é apenas quem será eleito, mas qual projeto de sociedade será escolhido.
E, nesse contexto, uma pergunta se impõe de forma inevitável ao cidadão: que tipo de futuro você está ajudando a construir com o seu voto em 2026?
Moisés Laureano de Santana é advogado, pós-graduado em Direito Público, Tributário e Eleitoral, com ampla e sólida experiência na Administração Pública do Estado do Rio de Janeiro, atuando em diversos cargos de direção e chefia em instituições governamentais




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