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Barra Mansa,18/04/2026

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    Carmem Teresa Elias

    A MÁSCARA POR TRÁS DA FALÊNCIA DA COMUNICAÇÃO

    A manipulação da verdade


    A MÁSCARA POR TRÁS DA  FALÊNCIA DA COMUNICAÇÃO


    A MÁSCARA POR TRÁS DA  FALÊNCIA DA COMUNICAÇÃO

    Carmem Teresa Elias

    Comunicação. A palavra por si já é uma convocação. Seu significado original traduz-se por  "ação de participar". Comunicação é, portanto, um processo social, que engaja pessoas, grupos, povos, nações.  Arravessa não apenas a geografia como também a História. Sim. Há quanto tempo o homem se comunica? Há pelos menos 90 mil anos, sugerem os pesquisadores.

    Por meio da linguagem - gestual, visual, verbal, digital -  a comunicação se caracteriza por materializar o pensamento, ou o sentimento ou a informação. Por um lado implica o que uma pessoa deseja expressar; por outro, o que a outra pessoa recebe e como a interpreta e reage. Assim deveriam surgir entendimentos, porém o que se pode observar é que a comunicação também é fonte de conflitos, duelos, manipulações, exercício de poder sobre o outro.

    Se na Grécia antiga, a oratória era a principal arma de convencimento público, agora nos deparamos com a perda da argumentação e com algumas distorções  comunicativas, como fakenews repetidas em grande escala algorítmica a influenciar hábitos, valores e posições políticas. Em plena era de comunicação de massa, a desinformação assume papel degenerativo da capacidade humana. Justamente pela comunicação hoje se perde raciocínio lógico, senso crítico, capacidade de discernimento. A pergunta que aflige: a dissociação com a verdade pode ser considerada comunicação?

    No início dos anos 2010 a chamada Primavera Árabe despertou minha observação sobre o poder das redes sociais. Movida pelo então Facebook, uma onda revolucionária deflagrou-se repentinamente por países  árabes e africanos, numa insurgência simultânea de movimentações de rua, revoltas, violência social, motins, guerras civis. O que parecia para alguns como movimentos sociais libertadores contra governos tiranos, contudo, provou tornar-se o ponto de partida coletivo para  ataques respondidos com violência,  discursos de ódio, desestabilização política e social, guerras.

    O fato é que o movimento incentivado pelas redes sociais parecia ser um caminho promissor em nome da democracia. Parecia uma grande reviravolta contra governos corruptos, tiranias, pobreza e baixas condições socioeconômicas. Parecia. Até então, o poder de comunicação da internet para fins político não havia sido testado. Ao invés de liberdade e democracia, porém, o que os países passaram a vivenciar foi, e ainda é, instabilidade em largo escopo, ascensão de teocracias, ascensão de guerras civis e terrorismo. Mudaram os líderes, os nomes, os sistemas de governo. A condição humana, social, econômica daqueles países não melhorou.  Aliás, piorou. A Síria arrasada é só um dos exemplos.

    O que ninguém perguntou na época e poucos perguntam até hoje é qual interesse realmente imperava - e impera-  nos bastidores das plataformas digitais. Quem comanda os meios de comunicação digital, com quais interesses. Muitos países do Oriente Médio são alvo permanente de ambições estrangeiras e estratégicas que visam apenas o controle de suas reservas energéticas.  Quem move o mundo, o jovem que recebe vasta quantidade de programação pela internet sem perceber as manipulações das mensagens OU as grandes empresas e lideranças imperialistas mundiais?

    O esquema é muito simples: o Império do Ocidente, diga-se Estados Unidos, por meio das redes sociais, planta discursos e clamores por justiça e liberdade em outros países. Abastece-lhes de discursos  nos quais, seja por falência na Educação, seja por credos religiosos fundamentalistas, seja por pouca condição social, levam multidões a aceitarem e acreditarem  em bizarrices totalmente fora da realidade. A internet semeia novos mitos e fantasias  no pensamento subjugado. O efeito? A consequência? O cenário político de direita e extrema direita norte- americana subjuga cada vez mais as populações mundiais. Política, religiões fundamentalistas e internet formam no século XXI  a trindade mais subversiva da verdade. Vivemos um dos maiores paradoxos da comunicação: convidados à ação de participar cada vez mais temos cada vez menos julgamento analítico e crítico, compreensão da supra- estrutura imperialista governante, acesso ao discernimento da realidade e da verdade. Criou-se uma comunicação que participa mentira, manipulação, ideologia com ódio. Hoje a comunicação escraviza e coloniza mentes. Quer entender mais sobre como a estratégia de domínio funciona? Siga conosco em www.komunica.net.br  Vamos falar de falência educativa, desmanche da linguagem, inteligência artificial, subserviência, e muita Literatura! Só a metáfora nos salvará.

    Carmem Teresa Elias é Doutora em Letras, docente aposentada, palestrante e pesquisadora em Literatura Comparada, Análise de Gêneros Textuais, escrita do ofuscamento feminino e desvios da Inteligência Artificial na produção textual. 



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