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Barra Mansa,07/07/2026

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    Caso SCO: fantasma do Unix volta a assombrar a IBM duas décadas depois

    tecnoblog.net
    Caso SCO: fantasma do Unix volta a assombrar a IBM duas décadas depois





    Resumo

    • IBM voltou a ser processada pela Xinuos sob a acusação de usar código-fonte de propriedade da SCO em um projeto baseado no Unix;

    • disputa judicial teve início em 2003, foi retomada em 2021 e encerrada em 2025, quando um juiz considerou a acusação de violação de direitos autorais prescrita;

    • em junho de 2026, a Xinuos recorreu da decisão alegando uma interpretação equivocada do juiz; IBM continua negando irregularidades.







    Uma briga que remete ao início deste século ressurgiu das cinzas. A IBM voltou a ser processada sob a acusação de usar código-fonte de propriedade da SCO em um projeto baseado no Unix que não avançou. O processo original foi encerrado em 2021. Mas a sucessora da SCO decidiu levar o assunto para os tribunais novamente.





    Para entendermos essa história, precisamos voltar para a virada do milênio. Em 1998, a Santa Cruz Operation (SCO) e a IBM fecharam uma parceria que visava criar uma implementação do Unix que pudesse ser executada em diversos tipos de processadores. A SCO já trabalhava com uma versão do Unix voltada a chips x86, mas queria ir além.





    O resultado da parceria foi a criação do Project Monterey, que contou até com o apoio da Intel. Pudera: um dos focos do novo sistema eram os prometidos processadores Itanium de 64 bits.





    Apesar disso, o projeto só foi viabilizado devido à combinação de códigos-fonte da IBM e da SCO. Esta última forneceu códigos do sistema operacional UnixWare, por exemplo.





    O problema é que o lançamento dos processadores Itanium atrasou, o que prejudicou o Project Monterey. Mas a tragédia aconteceu quando a IBM notou que o Linux estava em ascensão e decidiu apostar nesse ecossistema. Como consequência, a IBM encerrou a sua participação na iniciativa em 2001.





    A SCO ficou em uma situação delicada, tanto que vendeu as suas operações de Unix para a empresa Caldera Systems, que, meses depois, mudou o seu próprio nome para SCO Group.





    Essa nova SCO levou a IBM aos tribunais em 2003. A principal acusação é a de que a IBM usou códigos acessados durante o desenvolvimento do Project Monterey em partes do código-fonte do Linux.





    Desde então, foram várias idas e vindas aos tribunais. Até que, em 2007, o SCO Group sofreu uma grande derrota: um tribunal federal dos Estados Unidos reconheceu a Novell como a verdadeira proprietária dos direitos sobre os códigos do Unix considerados pela SCO no processo.





    Com isso, a ação só teria chances de dar algum resultado se a Novell partisse para cima da IBM, mas a companhia decidiu não se envolver no assunto por entender que não havia código do Unix implementado indevidamente no Linux.





    O SCO Group ficou em uma situação tão delicada que, em 2011, se viu obrigado a vender seus ativos, que acabaram sendo adquiridos por uma empresa então recém-criada de nome UnXis que, mais tarde, foi rebatizada para Xinuos.





    Por alguns anos, a Xinuos ficou focada em prestar suporte aos clientes que ainda usavam sistemas como o UnixWare, bem como em lançar versões do OpenServer, um sistema operacional baseado no FreeBSD.









    O retorno aos tribunais duas décadas depois





    Embora o CEO da Xinuos tenha declarado que a companhia não tinha intenção de voltar aos tribunais, em 2021, meses antes de o processo de 2003 ser definitivamente encerrado, a empresa decidiu processar a IBM novamente, junto com a Red Hat.





    A IBM havia comprado a Red Hat em 2019. Na argumentação da Xinuos, ambas atuaram para criar um monopólio para “sufocar” alternativas como o próprio OpenServer.





    O processo se arrastou até 2025, quando a Xinuos desistiu da acusação de monopólio, aparentemente por não conseguir sustentar as alegações. Para completar, um juiz de Nova York considerou que a acusação de violação de direitos autorais, ainda mantida, havia sido prescrita, pois remete à ação de 2003.





    Parecia que a novela tinha chegado ao fim. Só parecia. Em 22 de junho de 2026, a Xinuos voltou à Justiça, desta vez com a argumentação de que o juiz da decisão de 2025 interpretou de modo equivocado as alegações sobre violação de direitos autorais.





    Em clima de “lá vamos nós de novo”, a IBM manteve a sua posição de que não fez nada de errado. Agora, ambas as empresas aguardam a nova decisão judicial. Mas, ao que tudo indica, só um milagre colocará a Xinuos em situação favorável.





    Com informações de Tom’s Hardware e CourtListener






    Caso SCO: fantasma do Unix volta a assombrar a IBM duas décadas depois




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