iFood pede que Cade investigue 99Food e Keeta

Resumo
O iFood pediu ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) que aprofunde a investigação sobre a atuação da 99Food e da Keeta no Brasil. A empresa acusa as rivais de usar subsídios agressivos — como frete grátis, cupons em massa e taxas zeradas para restaurantes — para operar abaixo do custo e acelerar a conquista de mercado.
A petição foi enviada dentro de um procedimento de Acompanhamento de Mercado aberto pelo Cade em novembro de 2025. O iFood afirma que DiDi, dona da 99Food, e Meituan, responsável pela Keeta, conseguem sustentar prejuízos por longos períodos por terem acesso a fontes de capital na Ásia, além de iniciativas de internacionalização do governo da China.
A acusação é que esse poder financeiro permite às plataformas absorver perdas no curto prazo para ganhar mercado. Isso, segundo o iFood, cria uma competição artificial, já que as rivais poderiam manter preços e taxas abaixo do custo por mais tempo do que concorrentes locais.

No documento visualizado pelo Tecnoblog, a empresa brasileira menciona que a operação da DiDi no país contribuiu para um prejuízo líquido de US$ 470 milhões (cerca de R$ 2,4 bilhões) no último trimestre de 2025, quatro vezes maior que a perda registrada no ano anterior. A projeção é que o prejuízo atinja a casa dos US$ 1,47 bilhão (R$ 7,6 bilhões) em 2026.
Já a Meituan registrou prejuízo líquido anual de US$ 3,4 bilhões (R$ 17,6 bilhões) em 2025. Na leitura apresentada pelo iFood, o resultado reflete tanto a guerra de preços na China quanto os investimentos pesados na operação brasileira da Keeta.
Petição cita saída de rivais em outros países

O iFood usa exemplos internacionais para defender a atuação do Cade, como a entrada agressiva da Keeta em Hong Kong. Na ocasião, a chegada da chinesa teria levado a saída de outro player, a Deliveroo, em abril de 2025. A empresa britânica deixou o mercado após nove anos de operação na região.
A petição também menciona movimentos parecidos no Kuwait, com a falência da Cari em dezembro de 2025; no Catar, com a saída da Deliveroo; e na Arábia Saudita, com o fechamento do aplicativo Shgardi em outubro de 2025.
A Keeta estreou no Brasil com operação em São Paulo em novembro do ano passado, meses após o retorno da 99Food. A companhia planejava a expansão para o Rio de Janeiro em fevereiro, mas adiou o processo, alegando concentração de restaurantes exclusivos nas concorrentes.
Cade pode pedir dados de custos e preços
O iFood quer que o Cade exija que a 99Food e a Keeta apresentem suas estruturas de custos e as tabelas de preços praticadas no Brasil. A ideia é verificar se há indícios de venda abaixo do custo, prática que pode ser considerada predatória quando usada para eliminar concorrentes e recuperar poder de mercado depois.
Segundo a empresa, autoridades de outros países, como Arábia Saudita, Kuwait e a própria China, já passaram a olhar com mais atenção para as práticas de plataformas de delivery.
O Tecnoblog entrou em contato com 99 e Keeta, mas não recebeu retorno até a última atualização deste texto. Ele será atualizado caso as empresas se manifestem.
iFood pede que Cade investigue 99Food e Keeta




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