RAM cara demais: fabricantes são alvo de processo por alta de preços

Resumo
As gigantes de tecnologia Samsung, SK Hynix e Micron se tornaram alvo de um processo coletivo nos Estados Unidos por suposta manipulação no mercado de memórias RAM. A ação acusa as três empresas de cortar a produção de DRAM convencional para criar escassez artificial e elevar os preços dos componentes.
O processo, protocolado na Califórnia, afirma que as fabricantes teriam usado a posição dominante no mercado para reduzir a oferta de memórias usadas em PCs, consoles e outros eletrônicos, enquanto redirecionam capacidade para chips procurados pela indústria de inteligência artificial.
Alega, também, que o domínio das companhias dificulta a entrada de novos concorrentes, já que a produção de memória exige fábricas caras e especialização técnica, segundo o portal The Gamer.
Enquanto isso, para as companhias, o momento é bom. Na semana passada, a Micron conseguiu ultrapassar o valor de mercado de empresas como Tesla e Meta ao bater US$ 1,398 trilhão, ainda que momentaneamente. A empresa encerrou as operações da marca Crucial em dezembro.
Poucos dias antes da conquista da Micron, a SK Hynix chegou a US$ 1,35 trilhão, ultrapassando a Samsung, que também bateu US$ 1 trilhão em valor de mercado pouco tempo antes.
Processo cita saída do mercado tradicional

A ação afirma que Samsung, SK Hynix e Micron reduziram coordenadamente a produção de memórias tradicionais, como DDR3 e DDR3, ao mesmo tempo em que teriam acelerado a migração para memórias HBM, usadas principalmente em servidores e aceleradores de IA.
Segundo o processo, esse movimento diminuiu a oferta de DRAM convencional em um momento de alta demanda, pressionando os preços para cima.
“Os oligopolistas de DRAM cortaram simultaneamente a produção, coordenaram uma migração para HBM e a saída do DDR3 e DDR4, e, de outra forma, diminuíram e bloquearam o fornecimento de DRAM convencional enquanto os preços subiam em uma escala e rapidez impressionantes”, diz a denúncia.
A acusação sustenta que, em um mercado competitivo, as empresas deveriam disputar clientes aproveitando a alta nos preços. Em vez disso, teriam reduzido a oferta de forma semelhante, reforçando a escassez.
Alta pesa em preço de consoles, PCs e smartphones

A disparada nos preços de memória impactou diretamente produtos de consumo, levando a aumentos em notebooks (incluindo modelos da Apple) e consoles como PlayStation 5, Xbox e Nintendo Switch 2. Em todo caso, as fabricantes sinalizam a incapacidade de absorver o aumento nos preços de chips — o que não deve recuar, segundo a Lenovo.
Em evento na semana passada, a companhia chinesa sugeriu que os preços praticados pela indústria não devem voltar aos patamares de antes do chamado “RAMageddon” tão cedo. A Micron acredita que melhorias só devem ocorrer por volta de 2028.
A Valve é outra que usou a cartada do preço da memória recentemente, no anúncio dos preços da Steam Machine, o computador compacto da marca.
O engenheiro Pierre-Loup Griffais disse que fornecedores de memória podem simplesmente deixar de responder empresas que recusam os preços cobrados. Segundo ele, se uma fabricante não aceita a tabela, os fornecedores “nunca mais falam” com ela.
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