TVs superam PCs e viram novo carrinho de compras

Resumo
As funções de interatividade nas smart TVs que permitem compras diretamente no aparelho parecem estar fazendo algum efeito. Pela primeira vez, as compras digitais realizadas por meio de TVs superaram computadores de mesa e tablets, refletindo o avanço desses recursos em transmissões e apps de streaming.
A participação dos desktops caiu de 13% em 2024 para 11% no ano passado e 10% em 2026, segundo a 10ª edição do relatório The Future Shopper, da agência de publicidade VML, que ouviu 28 mil consumidores de 17 países, incluindo o Brasil.
O uso das TVs saltou de 8% nos dois últimos anos para 11% em 2026, enquanto o tablet, que mantinha resultados iguais aos da televisão em 2024 e 2025, caiu para 7%. Essa realidade pode crescer por aqui com a expansão da TV 3.0, tecnologia que começou a ser implementada neste ano e tem a interatividade na programação ao vivo – incluindo compras – como um dos seus pilares.
Ao mesmo tempo, a presença de computadores nos lares brasileiros tem sido mínima. Apenas 14% das casas com algum tipo de computador possuem desktops, segundo levantamento divulgado pela Anatel no ano passado. Com o aumento dos preços de componentes de PCs, pela crise no setor de semicondutores, pode não ter havido uma grande mudança nesse sentido.
Celulares ainda dominam preferência de consumidores

A mudança joga as TVs para a terceira posição entre os dispositivos mais usados para compras online, mas o número ainda é muito abaixo das compras via celular, com 40% de participação. O ranking ficou assim:
- Celulares: 40%
- Notebooks: 15%
- Televisões: 11%
- Computadores de mesa: 10%
- Tablets: 7%
- Consoles de videogame: 6%
- Relógios inteligentes: 5%
- Assistentes virtuais: 5%
- Óculos e headsets de realidade virtual: 3%
Experiência incomoda consumidores
Mesmo com a liderança dos smartphones, a pesquisa aponta problemas na experiência de compra. Cerca de 40% dos entrevistados afirmaram que comprar pelo celular ainda é pior do que pelo computador, enquanto 34% reclamaram especificamente do processo de finalização da compra.
Mais da metade dos consumidores (55%) também disse que marcas e varejistas deveriam trabalhar mais para melhorar a navegação em dispositivos móveis. Outro dado mostra o impacto do excesso de estímulos: 50% dos entrevistas já desinstalaram aplicativos de compras por causa da quantidade de notificações.
Brasil mantém preferência por gastos na internet

A pesquisa também traz o cenário da preferência por compras online ou presenciais. A média global de consumo no comércio eletrônico caiu para 51% neste ano, após estagnar em 53% no último biênio. O número é também o menor desde 2021, quando, durante a pandemia, chegou a 61%.
Mas o Brasil segue engajado nas plataformas online, onde 58% dos gastos dos consumidores são feitos, contra 42% no varejo físico. É o segundo país que mais consome na inernet, atrás apenas da China (59%), enquanto outras nações sul-americanas, como Colômbia e Argentina, chegam a 44% e 47%, respectivamente.
IA começa a entrar na jornada de compra
As IAs também têm aparecido como intermediadoras entre o consumidor e a compra, e elas têm ganhado espaço. A parcelo dos entrevistados que já usou alguma dessas ferramentas chegou a 82% em 2026, com o ChatGPT liderando a preferência dos entrevistados frente ao Gemini: 48% contra 37%.
Além de tirar dúvidas, as plataformas ajudam os consumidores a entender o que procuram e comparar preços. 45% disseram estar entusiasmados com IAs agênticas que procurem o melhor preço em seu nome, algo que as principais desenvolvedores tentam implementar nos modelos mais recentes. Quem prefere a pesquisa manual pode ficar atento aos Achados do Tecnoblog.
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