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Barra Mansa,24/06/2026

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    Arthur Vinciprova

    A vida inteira pela arte

    A arte exige muito.


    A vida inteira pela arte Anna Zelma Campos

    A vida inteira pela arte

    Por Arthur Vinciprova 

    No Dia Nacional do Cinema Brasileiro, sentado em um café com dois amigos, fui presenteado com uma biografia de Marlon Brando. O gesto, por si só, já teria sido especial. Mas o livro vinha carregado de algo maior: havia pertencido a Anna Zelma Campos, grande atriz, diretora e uma mulher que dedicou sua vida à arte.

    Anna Zelma partiu recentemente, mas deixou aquilo que os verdadeiros artistas deixam: presença. Uma presença que não depende mais do corpo físico, porque continua nos palcos, nas lembranças, nas pessoas que formou, nos exemplos que espalhou e até nos livros que passam de mão em mão.

    Ao começar a ler sobre Brando, pensei nesse tipo de artista que atravessa o mundo como quem carrega uma missão. Gente que, onde quer que esteja, faz da arte não apenas uma profissão, mas uma forma de existir. Brando fez isso com o cinema. Anna Zelma fez isso com o teatro, com a cidade, com todos que conviveram com ela.

    E talvez seja exatamente isso que me emocione tanto: reconhecer nessa trajetória uma espécie de espelho. Também escolhi dedicar minha vida à cultura. Às vezes com entusiasmo, às vezes com exaustão, muitas vezes com incertezas. Mas sempre com a sensação de que não saberia viver de outro modo.

    A arte exige muito. Cobra tempo, coragem, renúncias e uma fé quase absurda. Mas também devolve sentido. E quando uma biografia, um café, dois amigos e a memória de uma artista se encontram no mesmo dia, a gente entende que a cultura é feita disso: encontros, permanências e vidas que continuam iluminando outras vidas.

     



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