Arthur Vinciprova
A vida inteira pela arte
A arte exige muito.
Anna Zelma CamposA vida inteira pela arte
Por Arthur Vinciprova
No Dia Nacional do Cinema Brasileiro, sentado em um café com dois amigos, fui presenteado com uma biografia de Marlon Brando. O gesto, por si só, já teria sido especial. Mas o livro vinha carregado de algo maior: havia pertencido a Anna Zelma Campos, grande atriz, diretora e uma mulher que dedicou sua vida à arte.
Anna Zelma partiu recentemente, mas deixou aquilo que os verdadeiros artistas deixam: presença. Uma presença que não depende mais do corpo físico, porque continua nos palcos, nas lembranças, nas pessoas que formou, nos exemplos que espalhou e até nos livros que passam de mão em mão.
Ao começar a ler sobre Brando, pensei nesse tipo de artista que atravessa o mundo como quem carrega uma missão. Gente que, onde quer que esteja, faz da arte não apenas uma profissão, mas uma forma de existir. Brando fez isso com o cinema. Anna Zelma fez isso com o teatro, com a cidade, com todos que conviveram com ela.
E talvez seja exatamente isso que me emocione tanto: reconhecer nessa trajetória uma espécie de espelho. Também escolhi dedicar minha vida à cultura. Às vezes com entusiasmo, às vezes com exaustão, muitas vezes com incertezas. Mas sempre com a sensação de que não saberia viver de outro modo.
A arte exige muito. Cobra tempo, coragem, renúncias e uma fé quase absurda. Mas também devolve sentido. E quando uma biografia, um café, dois amigos e a memória de uma artista se encontram no mesmo dia, a gente entende que a cultura é feita disso: encontros, permanências e vidas que continuam iluminando outras vidas.




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